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A vida secreta das abelhas

Esse livro é super famoso (pelo menos ouvi muito falar sobre) e talvez seja por causa do filme que… adivinha? Não li….rsrsrs

Então, quando vi “The Secret Life of Bees” (tradução livre: “A vida secreta das abelhas”), de Sue Mona Kidd, num sebo, não titubeei — levei logo para casa.

A protagonista se chama Lily Owens, e a história começa quando ela tem 14 anos e estamos em 1964 (2 anos antes de eu nascer). Os Estados Unidos estão começando a ter algumas vitórias na luta contra o racismo. Por incrível que pareça, até essa época, ainda existia o apartheid no país; escolas exclusivas para negros, que não tinham nenhum direito civil e sequer podiam frequentar as mesmas igrejas que os brancos (eu tenho problema com as religiões em geral, e essa separação é uma das contradições mais óbvias que não consigo engolir).

Lily é branca e mora sozinha com o pai. Quem cuida dela é Rosaleen, uma mulher negra que o pai contratou para cuidar dela depois que a mãe morreu, quando ela tinha apenas 4 anos de idade. Na memória dela, é tudo meio confuso — ela se lembra da mãe, no quarto, guardando as roupas em uma mala, quando o pai entra e eles começam a brigar. A mãe tira uma arma de uma cômoda. Lily fica desesperada, corre para pegar a arma da mão da mãe e a próxima coisa que ela se lembra é de uma explosão e da mãe morta. Ela não tem certeza se a arma caiu ou se ela fez o disparo sem querer.

O fato é que ela ficou órfã e o pai, um sujeito rude, ignorante, bruto e mau humorado, dono de uma plantação de pêssegos, ficou responsável por ela. Nenhuma palavra de carinho, muitos castigos e humilhações, rejeição e bullying na escola; uma vida duríssima que ela só conseguia suportar por causa de Rosaleen.

Até que um domingo, Rosaleen anuncia que irá até a cidade (que, na verdade, é um povoado), para se registrar para votar — um dos direitos recém conquistados pelos negros. Ela passou semanas treinando a assinatura e os dados para poder preencher o documento. Lily, que nunca sai de casa, pede para ir junto.

E lá vão as duas, a pé, pela estrada empoeirada, por quilômetros (o pai tem um caminhãozinho, mas não está nem aí para elas), até que chegam a um posto de gasolina na entrada da cidade. 

Lá estão alguns homens brancos racistas e desocupados, tentando despejar sua incompetência e impotência em quem parece mais vulnerável e começam a debochar de Rosaleen. Ela não se deixa abalar e acaba derrubando suco nos pés deles de propósito, enquanto Lily apenas assiste a cena, apavorada. 

Os marmanjos, ofendidíssimos, chamam a polícia e Rosaleen e Lily são presas. O pai de Lily vai buscá-la na prisão (precisa retirar sua propriedade para mostrar poder) e diz à menina que provavelmente Rosaleen não vai sair de lá — o risco de morrer “por acidente” na prisão é alto, pois “ela não deveria ter se metido em encrencas”.

Lily fica sabendo que Rosaleen apanhou uma surra na prisão e teve que ser transferida para um hospital para suturar alguns cortes e bola um plano bem criativo.

O resultado é que as duas conseguem fugir do hospital e vão para a estrada pedir carona. Mas para onde?

Há alguns anos Lily achou uma caixa no sótão com alguns objetos da sua mãe; uma foto dela e um desenho de uma Nossa Senhora negra, com o ano da morte dela e o nome de uma cidade anotados atrás.

Lily e Rosaleen conseguem carona para essa cidade, que não fica muito longe. Elas têm pouquíssimo dinheiro e param num restaurante popular (Lily se descobre uma habilidosa mentirosa e contadora de histórias) — quando a menina vê várias embalagens de mel com o mesmo desenho da Santa no rótulo. Ela pergunta para o atendente mais sobre o produto e descobre que tem uma casa toda pink, no final do bairro, onde aquele mel é produzido por uma família de irmãs negras.

Lily e Rosaleen enrolam as moradoras e conseguem abrigo por um tempo enquanto trabalham; Lily aprende as tarefas de um apiário e Rosaleen ajuda na casa. São três irmãs com nomes de meses: August, a mais velha e líder; June e May. Existia ainda April, gêmea de May, mas que morreu há alguns anos.

A dinâmica da casa é fascinante; as irmãs são muito cultas, inteligentes, e, como reconhece Lily, muito melhores que qualquer pessoa branca que ela conheceu. Era como ir morar num castelo da realeza — não que o lugar fosse luxuoso, mas June era uma musicista talentosa e apresentava concertos. Elas May cozinhava maravilhosamente e August era uma empreendedora competentíssima. 

Elas tinham vários rituais, alguns religiosos, e se juntavam com outras mulheres negras, uma vez que não tinham acesso às instituições que os brancos frequentavam.

A vida vai correndo, Lily sustentando a sua mentira. Várias coisas acontecem, a menina vai amadurecendo e amando e admirando cada vez mais as irmãs.

Tem umas coincidências meio forçadas, na minha opinião, e um pouco de melodrama no final.

Mas, no geral, achei a história interessante, bem contada, com um quadro bem instrutivo sobre a época (que, absurdamente, nem é tão distante) e não tem como ler e não ficar revoltado. Sinceramente. O racismo é uma das coisas mais estúpidas e incoerentes já inventadas pelo ser humano. 

Se você vai ver o filme (foi muito elogiado), recomendo ler o livro antes, para poder comparar se ficou bom o não (acho muito difícil fazer o contrário).

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