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Objetos cortantes

Achei “Cry baby: Scharfe Schnitte”(tradução livre: “Chore, bebê: cortes afiados”), de Gillian Flynn, num mercado de pulgas (pra variar). Levei porque estava precisando ler algo em alemão para não esquecer (inglês é bem mais fácil) e tinha gostado muito dos outros livros dela, Gone Girl (Garota Exemplar em português, porém esqueci de resenhar) e A casa Quebrada (resenha aqui).

Esse é o primeiro romance da autora, publicado em 2006, e já mostra o futuro promissor, o talento para thrillers cheios de tensão (e, na minha opinião, a mente perturbada…rs).

Mas vamos à história: Camille Preaker, uma mulher de 32 anos que é jornalista e trabalha num jornal em Chicago, como repórter policial (e ela é muito boa nisso). A vida dela parece toda desregrada: bebe muito, dorme mal, não se alimenta bem, mora num apartamento todo desarrumado. Mesmo assim, é descrita como belíssima.

Um belo dia, seu chefe e editor, Curry, chama a moça pedindo uma reportagem especial. É que duas meninas de 9 e 10 anos de idade desapareceram num período de 9 meses em uma cidade pequena chamada Wind Gap; a primeira delas foi encontrada morta dias depois — a outra ainda estava desaparecida. Curry se lembrou que Camille tinha nascido e passado a infância nessa cidade, então poderia fazer uma matéria lá ganhadora de prêmios, já que provavelmente teria acesso a informações privilegiadas, uma vez que conhecia todo mundo. Seria a salvação do jornal e um acontecimento na carreira da jornalista.

A primeira reação de Camille foi recusar. Tudo o que ela queria na vida era não voltar para aquele buraco, onde ainda moravam sua mãe, seu padrasto e sua meia-irmã. Mas ela não conseguiu dizer não, pegou o carro, dirigiu mais de 10 horas e bateu na porta da Sra. Adora, sua mãe (amei esse nome!).

A relação entre Camille e a mãe é a mais formal e fria possível; a mãe nunca fingiu que gostava dela. Aí ficamos sabendo que Adora, filha de milionários e belíssima, acabou engravidando na adolescência de Camille. Depois que a filha nasceu (sem nunca saber quem era o pai), Adora arrumou um marido milionário e se casou. 

Tiveram a Ann quando Camille tinha 3 anos de idade e as duas se adoravam. Ann era o único amor que Camille tinha naquela casa. Mas Ann estava sempre doente, desde bebê, até os 4 anos de idade, quando Ann morreu.

Camille sofreu a perda sozinha, já que a mãe se trancou no quarto por meses; recebia visitas de toda a elite da cidade, menos de Camille, proibida de entrar no aposento.

Agora, 8 anos depois de ter saído para a Universidade e nunca mais voltado, Camille passa a ocupar seu antigo quarto na mansão. Agora ela tem outra irmã, Amma, com quase 13 anos de idade.

A pré-adolescente é o protótipo da loirinha rica, mimada e insuportável. Faz bullying com todo mundo, controla a turma toda, seduz todos que estiverem ao seu alcance, manipula as amigas e dá chiliques diversos; um amor de pessoa.

Camille começa a investigar a menina que desapareceu até que no segundo dia em que ela está na cidade, o cadáver da garota é encontrado numa rua, no centro da cidade. 

Ela tenta obter informações de todas as maneiras, mas ninguém quer publicidade sobre o assunto; a polícia se recusa a colaborar com ela, até que se encontra com o detetive que vem de fora para investigar os casos. Os dois ficam muito atraídos fisicamente, mas ele não quer dar as informações que ela precisa para fazer a matéria. 

Camille, vinda de uma família totalmente disfuncional, sofre bastante; toma as decisões obviamente erradas, deixa se manipular pela irmã e pela mãe, passa pano para abusos diversos, continua bebendo como se não houvesse amanhã e não consegue se conectar com as pessoas daquela cidade.

Além disso, ficamos sabendo que Camille sempre anda com roupas fechadas porque ela tem compulsão por escrever palavras na sua pele usando os objetos cortantes que estiverem disponíveis. Ela escreve as palavras que lhe vêm à mente quando passa por uma situação de stress e o corpo todo dela é cheio de cicatrizes.

Vivendo na mansão sinistra com essa gente esquisita que calha de ser seus parentes, aos poucos ela vai descobrindo mais sobre os crimes; algumas pistas que não fazem sentido — outras são bem escabrosas, como o fato de que todos os dentes das meninas foram arrancados. Aos poucos Camille também vai conhecendo mais sobre a história de mãe e porque ela se comporta de maneira tão fria com sua própria filha. 

Camille conversa com coleguinhas das meninas, pais, irmãos, vizinhos, todo mundo que teria algo para contar sobre elas. A polícia diz que ainda não tem um suspeito, mesmo depois de meses de investigação. 

Quem seria o assassino? Algum de seus colegas do passado? O que o detetive está escondendo dela? Por que sua mãe age dessa maneira estranha com ela?

É claro que não vou dar spoiler porque esse livro foi traduzido para o português com o nome de “Objetos cortantes” e você pode adquirir o seu exemplar na Amazon do Brasil clicando nesse link.

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1 comentário

  1. […] Resenha do livro “Cry baby: Scharfe Schnitte” (tradução livre: “Chore, bebê: cortes afiados”), de Gillian Flynn. O texto escrito está nesse link. […]

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