Por favor, não acredite em mim!
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Estava aqui pensando: por que tantas pessoas de boa fé frequentemente disseminam notícias falsas, mesmo depois de tantos avisos? Ontem falei isso para a minha mãe e ela respondeu que não confere a notícia, como ensinei, porque acredita na pessoa que enviou.
Entendo. Se a minha geração foi criada e educada para acreditar, imagina a dela?
Quando era pequena, credulidade era uma virtude, um elogio. Criança obediente, que não discute e não contesta, era o sonho de consumo de todos os pais. As pessoas crentes e ingênuas eram as boas; as desconfiadas eram as más. Se a pessoa não acreditava é porque tinha malícia, maldade; pensava sempre o pior. E essa construção, que contradiz inclusive a evolução da espécie (a luta pela sobrevivência pede desconfiança), não veio de graça. Para os governantes, gente obediente é o paraíso.
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