Primeiro episódio: Wilmersdorf

Segue o primeiro episódio dos programinhas semanais sobre Berlin (pelo menos vou tentar manter a frequência, porque é divertido, mas dá uma trabalheira).

A tosquice faz parte, já que o orçamento da produção é zero, disponho apenas de câmeras fotográficas e não sou propriamente íntima do iMovie (software que estou usando para edição). Mas acho que dá para ter uma ideia e já tem material para vocês rirem um pouco.

Doces bárbaros

Os alemães raciocinam, olhando daqui da janelinha onde estou, do jeito mais complicado que se pode imaginar na abordagem de um problema (deve ser influência da língua, que é de dar nó na própria). As coisas parecem bem feitas e resolvidas, mas, para uma tupiniquim que vê de fora, dá a impressão que tinha um jeito mais simples de fazer a coisa.

Peguemos o exemplo da prefeitura de Berlin. Você tem que ir até lá para se apresentar como morador da cidade; a ideia é ótima, pois eles não precisam fazer o censo anual e têm sempre dados atualizados. Você se apresenta e, entre outras coisas, ganha o direito de estacionar o carro na frente da sua casa sem pagar a “zona azul” (nem donos de Porsches, Ferraris, Audis, Mercedes e BMWs têm cacife para pagar uma garagem coberta por aqui; quase nenhum prédio tem esse luxo e esse brinquedinhos lindos dormem todos na rua); é pré-requisito também para se registrar no seguro-saúde, entre outras povidências burocráticas.

Quer um aumento?

Uma coisa óbvia que nem todo mundo se dá conta é que, quando se contrata alguém, há um acordo. O contratado deve fazer determinadas tarefas e assumir algumas responsabilidades. Por esse valor que agregará à empresa, será remunerado de acordo com o acertado. E ponto. Se mesmo depois de anos as tarefas ou responsabilidades continuam as mesmas, por que o salário deveria mudar?

Noitada, repudiar e manada

Dagoberto não conseguia abrir os olhos, de tão inchados. Na cabeça, parecia que a bateria da Mangueira estava se apresentando para os jurados; era como se as suas têmporas tivessem virado uma passarela do samba. O sabor clássico de cabo de guarda-chuva invadia todo o seu sistema digestivo. As pernas pareciam um pouco indolentes e a barriga apresentava uma trilha sonora com o melhor do hip-hop.

A noitada parecia ter sido boa mesmo. Se ao menos ele se lembrasse de alguma coisa poderia saber a causa do estranho comportamento do seu cachorro Mário César. MC, que sempre fora um doce, agora teimava em repudiar seus carinhos.

Design cortês

O mundo está cada vez mais lotado de gente. Falta água, comida, educação, cultura e justiça para a maior parte dos viventes, e se as pessoas continuarem a se reproduzir com essa desenvoltura, a tendência é só piorar. Mas penso que, a despeito dessas mazelas todas, as coisas que mais fazem falta mesmo são a gentileza, a delicadeza e a sensibilidade.

O bom design leva em consideração o conforto, o bem-estar, a facilidade de uso, a sensibilidade e as limitações do usuário. O bom design é tão nobre e atencioso que até com o planeta ele se preocupa, já que todo projeto deve levar também em consideração o ciclo de vida e o descarte do produto.

Quem me conhece sabe que estou muito longe ainda de ser uma dama, mas o bom design é um gentleman desde o berço….

O nome e a rosa

“Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume”. Essa fala de Julieta, imortalizada nos versos de Shakespeare, talvez devesse ser reavaliada nos dias de hoje.

É que uma pesquisa realizada na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, concluiu que a percepção das pessoas em relação a um cheiro pode variar dependendo do nome que se dá a ele.

Na prática, a teoria é mais divertida!

Nesse feriado tive o privilégio de participar do workshop Inovação + Design Thinking promovido pela dupla dinâmica Maria Augusta Orofino e Maurício Manhães, da InnovaService. Foram dois dias para descolar os neurônios, como disse uma participante. Uma coisa é estudar inovação e design thinking em livros, outra bem diferente é desenvolver um produto inovador na prática.

Eles começam os trabalhos falando do conceito da VaCa RoSa, acrônimo para a técnica de Variação Cega e Retenção Seletiva. A variação cega parte da metáfora baseada no darwinismo, onde a natureza faz variações aleatórias sobre um tema (ou, no caso, ser vivo) e a retenção é feita seletivamente, pelo desempenho de cada uma. Então, no começo houve girafas pescoçudas, orelhudas, linguarudas e até estrábicas. As características que tiveram desempenho melhor e contribuíram para a sobrevivência da espécie foram reproduzidas, fazendo esses animais, hoje em dia, terem pescoços e orelhas bem desenvolvidos. Mas, no começo da variação cega, não havia como saber como ia ser a forma final da girafa.

Comporta, imaginação e passageiro

Mais um contículo criado a partir de 3 palavras achadas aleatoriamente no dicionário.
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Rudnelson olhou fixamente para aquela pessoa parada bem à sua frente. Eles não se conheciam, mas ela estava tão pertinho que ele não resistiu viajar na batatinha e pensar em como seria se a moça, que tinha cara de se chamar Vandirene (seria um bom nome para ela), viesse a ser mãe dos seus filhos.

A prole ia ser magnífica, pois a suposta Vandirene era uma beldade. Megahair com mecha rosa até a cintura (e que cintura), salto plataforma bem alto, calça provocante, olhar desafiador. O perfume de rosas, então, era um capítulo à parte.

Venda mais

A revista Venda Mais desse mês traz uma entrevista comigo sobre autoconhecimento e vendas. O título é “A chave mestra: entenda porque o autoconhecimento pode ser fundamental para otimizar a comunicação do gerente e sua equipe de vendas”.

A matéria é da jornalista Pauline Machado e ela conseguiu ser bem fiel ao que falei (infelizmente, não é coisa muito comum no meio; às vezes o repórter faz uma mistura do que a gente fala e só nos resta lamentar depois da coisa impressa). Ainda bem que não foi o caso aqui, a Pauline é muito competente!

Workshop ou palestra?

Atenção, pessoal que organiza e divulga eventos: workshop e palestra são duas coisas absolutamente distintas! Workshop não é um nome mais chique para palestra, como alguns podem pensar.

Numa palestra, você compartilha suas ideias por um tempo que varia entre 60 e 90 minutos e depois as pessoas fazem perguntas (pode ter algumas variações, como perguntas durante a explanação, que eu até prefiro, mas é basicamente isso).

Um workshop pressupõe interação e experiência prática (não é à toa que a tradução em português é oficina — quase ninguém usa porque não é tão chique). Nesse caso, quem está participando não é apenas passivo; vai sair de lá com alguma coisa construída. Ah, e inserir uma dinâmica de grupo não configura workshop (detesto aquela de abraçar o estranho ao seu lado ou cantar músicas bregas com mãozinha para cima…eheheh).

Medo de quê?

Reza a lenda que o medo de falar em público chega a superar até o medo da morte para alguns profissionais. Exageros à parte, meu medo é bem outro.

Adoro fazer palestras e não vejo como poderia ser diferente. Reflita: você viaja, fica num hotel bacana, é tratada com todas as mordomias, fala durante pouco mais de uma hora e ainda ganha para isso. Invariavelmente, as pessoas vão aplaudir no final e algumas até arriscarão alguns elogios. Sempre haverá os mais empolgados que lhe dirão maravilhas (aliás, é impressionante como as pessoas são civilizadas em palestras; mesmo um troglodita no trânsito vira um modelo de comportamento e não ousa dizer que já tinha ouvido a piada sem graça antes ou que sua voz é chata). É facílimo sair de uma apresentação se achando a rainha da cocada preta; você dorme nas nuvens, uma verdadeira delícia.

Meu medo, o maior de todos, é acordar no dia seguinte e continuar me achando a rainha da cocada preta.