Eu já gostava muito dessa autora desde “A garota do trem” e “Dentro d’água”. Então, quando vi “A slow fire burning: it’s the quite ones you have to watch” (tradução livre: “Queimando em fogo lento: é o mais quieto que você tem que prestar atenção”), da Paula Hawkins, não deixei passar.
A moça escreve muito bem e esse é um policial clássico; perfeito para quem gosta do gênero (eu!).
Já começa com um mapa da região onde o crime acontece, em Londres, às margens do canal Regent (adoro!). No mapa, que parece feito à mão, está a localização das casas dos principais personagens.
Vamos à história: temos o casal Carla e Theo — ele escritor famoso e rico, ela não tem profissão definida. Ambos tiveram um filho, o adorado Ben. Só que quando ele tinha apenas dois anos de idade, Carla teve que fazer uma viagem a trabalho e Theo teimou em ir junto. Então o casal resolveu deixar o bebê com a irmã de Carla, Angela, que já tinha Daniel, de 8 anos. Eis que, num descuido, a janela da sacada ficou aberta e Ben caiu sem ninguém ver.
Carla e Theo nunca se recuperaram da perda — tanto que se divorciaram (mas continuaram se encontrando, pois as casas são bem próximas). Eles também nunca perdoaram Angela.
Irene mora na casa ao lado de Angela e elas se tornaram muito próximas depois que Irene ficou viúva. Angela era alcoólatra e, com os anos, Daniel acabou saindo de casa, pois não se dava com a mãe de jeito nenhum.
Há algumas semanas, Angela caiu da escada e não resistiu (eu imagino aquelas casinhas geminadas em Londres, bem estreitas e com escadas íngremes).
Irene tem dificuldades de fazer compras sozinha por causa da artrite, mas odeia ser tratada como uma velhinha. Laura, uma jovem de 20 anos que trabalha numa lavanderia perto, ajuda a senhora — tanto que começam a ficar muito próximas, pois Laura a trata como uma amiga mesmo.
Laura é a rainha das decisões ruins. Nem sempre foi assim; era uma garotinha exemplar, até que, voltando para casa de bicicleta, foi atropelada seriamente, a ponto de ficar mais de um mês em coma. Ela manca até hoje e não consegue controlar muito bem suas emoções — por isso não conseguiu estudar. Seus pais são extremamente narcisistas, em especial a mãe (Laura depois descobre que foi atropelada pelo amante da mãe, com quem ela se casou depois).
Laura acaba tendo um encontro com Daniel; um perfeito encontro de almas desequilibradas e seres instáveis. Ele está morando num barco à beira do canal e os dois acabam brigando depois de transarem. O negócio acaba em agressão física e Laura sai toda machucada — Daniel também não sai ileso. Ao chegar em casa, descobre que perdeu a chave e tem que quebrar a janela para entrar. No processo, ela fica toda ensanguentada.
Por último, temos Miriam, que mora no barco ao lado de Daniel, e tem um passado traumático. Miriam escreveu sua história como um diário numa tentativa de transformá-la num livro. Ela pede conselhos a Theo, já que ele é um escritor famoso. Theo, perturbado pela perda do filho, não consegue mais ter ideias e rouba a história dela. Miriam é a pessoa que encontra Daniel esfaqueado no barco e chama a polícia.
E agora? Quem matou Daniel? Laura, que chega a ser presa como principal suspeita? Theo? Carla? Irene? Miriam? Façam suas apostas.
Vou dizer que, como macaca velha que sou (acho que estou mais para macaca idosa…hahahaha), não me surpreendi tanto assim. Mas tem vários plot twists, segredos do passado revelados, tudo contado numa história bem escrita e sem pontas soltas.
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