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O enigma do quatro

Achei um sebo lá em BH que tinha esse livro; já o tinha visto em várias livrarias e fiquei curiosa. Acabei trazendo o tijolão para ler na viagem de volta.

Olha, não é nada sensacional e penso que tem lá umas 100 páginas sobrando, mas o argumento é bem interessante. O desafio é decifrar um livro impresso na época da Bíblia de Gutemberg e descobrir os segredos que ele encerra. Vários já morreram pelo tal volume (que, de fato, existe) e 2 estudantes passam boa parte de seu tempo nesse trabalho meticuloso e desafiador, além de alguns professores que disputam a primazia de decifrar o mistério. Há intriga, sociedades secretas, suspense, assassinatos, traições, ciúmes e todos os elementos frequentes num bom thriller do gênero.

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Velhinho visionário

Mr. Kotler já está com 80 anos e continua cheio de ideias revolucionárias. O sujeito praticamente inventou todos os conceitos que a gente conhece sobre marketing e estruturou a maior parte da informação disponível sobre o assunto; só essa contribuição inestimável já daria para deitar na rede e gastar o resto do tempo tomando picolé de caju na beira da praia.

Mas esse senhor não está aqui para brincadeira: no ano passado, ele lançou junto com os consultores indonésios Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan o esclarecedor Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano.

Essa equipe, que de fraca não tem nada, começa justificando o tal 3.0 lembrando-nos de que o marketing teve dois grandes momentos antes do atual; na fase 1.0, o objetivo era vender os produtos fabricados a todos que quisessem comprá-los. A ideia era apresentar o que estava sendo produzido da maneira mais atraente possível, sempre enfatizando (e, na maior parte das vezes, exagerando) as inúmeras qualidades do produto. Naquela época dá para dizer que o marketing andava numas de endeusar tanto a publicidade e propaganda que os dois até se confundiram por bastante tempo (equívoco difícil de se desfazer até hoje). Em resumo, o marketing era centrado no produto; a satisfação do cliente era puramente funcional, física.

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Pessoas invisíveis

Já faz um tempo recebi uma mensagem que me deixou comovida. Como a recebi de vários endereços diferentes, é possível que você também já a tenha lido, ainda mais porque, pesquisando no Google, descobri que a história é verdadeira e o texto é de 2004.

O caso é o seguinte: Fernando Braga da Costa, por sugestão de seu orientador de Mestrado em Psicologia, resolveu trabalhar como gari na própria universidade onde estudava para entender como esses profissionais eram vistos pela sociedade. Eis a conclusão, após 8 anos trabalhando na função: eles não são vistos.

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Conjugal, frear e grandeza

Mais um contículo construído a partir de 3 palavras colhidas aleatoriamente no dicionário. Vamos lá.

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A mania da Bernadete de fingir que ia participar do casamento real já estava irritando o Gláucio e acabando com a paz conjugal. Onde já se viu? A louca gastou todas as economias para encomendar um vestido de rica e descobriu até um sujeito, lá em Beijo das Freiras, nos confins de Pernambuco, que fazia chapeus forrados de seda. Deu para grudar na televisão e fazer planos sobre o tal dia. Parecia que a doidivanas vivia numa realidade paralela; agora só falava em esmalte de unha. Nem a noiva devia estar assim tão envolvida em preparativos nesse nível de detalhe…

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Diferente?

Essa palavra, “diferente” e sua versão mais hype, a tal “diferenciada” carrega armadilhas perigosas. Se um profissional tem uma das duas na ponta da língua, cuidado. A tradução correta de “fiz assim para ficar diferente” é “fiquei com preguiça de pensar, dei uma enrolada e vê se não enche”.
O designer apresenta uma marca gráfica cheia de ornamentos árabes para uma cantina italiana. É só pressionar um pouquinho que ele revela:

— É que eu achei legal, tipo assim, fica diferente.
Gente que pensa, projeta, raciocina, sempre tem excelentes argumentos para defender seus projetos. E são argumentos bem diferentes, pode acreditar.

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Design emocional

O nível reflexivo do designer que geralmente reprova fortemente as coisas bonitinhas, consideradas banais, triviais e carentes de profundidade e substância, está claramente tentando aplacar a atração visceral imediata por essas coisas. Se a pessoa se aceita, não se revolta tanto com isso, não se incomoda e deixa cada um ser como é. Sempre vejo pessoas incomodadas demais com o fato de uns gostarem de assistir BBB e outros amarem sanduíches do McDonald’s. Qual o problema, galere? Cada um com seu nível de processamento e todos felizes, sem stress.

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Dieta literária: devorando os livros certos

Ler serve basicamente para desenvolver a capacidade de abstração, o que não é pouco se a gente analisar onde isso nos leva: compreender a dimensão e o contexto da encrenca que é esse mundão, o que implica em entender pelo menos o básico sobre como as coisas funcionam e como a gente chegou até aqui; esse passo é fundamental se quisermos mudar a realidade (ou mesmo deixá-la exatamente como está, o que exige esforço igual ou maior).

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Solar

A primeira vez que ouvi falar desse autor foi por causa do livro que deu origem ao ótimo filme Desejo e Reparação. Depois li “Na praia” e o fabuloso “Sábado”.

Solar é, na minha opinião, o melhor de todos. Conta a história do físico Michael Beard que ganha o prêmio Nobel antes dos 30 anos e não consegue produzir mais nada de notável depois disso. Ele vive da fama e assume cargos apenas para emprestar prestígio aos projetos. Egoísta e misantropo de carteirinha, esse gordo, devasso e covarde senhor de 53 anos começa o livro no final de seu quinto e fracassado casamento. O sujeito é tão sem noção que é impossível não achar engraçado.

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Norfolk 1910

Norfolk 1910 — A revelação da ordem e é um romance histórico cheio de suspense e emoção. Devorei em menos de 24 horas, é daqueles que não dá para parar de ler, parece que a gente está vendo o filme. Algo movimentado no estilo de O código Da Vinci, mas a graça maior é a riqueza dos detalhes dos lugares e sua história (o autor, Ricardo Della Santina Torres, teve acesso à biblioteca da sensacional National Gallery, em Londres, para fazer a pesquisa de época).