Quando a gente anda pela Sicilia, seja em que cidade for, não pode deixar de notar essas cabeças de cerâmica que estão em todos os lugares. Há tamanhos, formatos e estilos diferentes, pois são todas artesanais, moldadas e pintadas por cada artista.
Fui atrás de descobrir a história por trás dessas peças e vocês nem imaginam o babado: elas se chamam “Teste di Moro” (numa tradução livre seria “cabeças de mouro”) e reza a lenda que elas têm origem numa história muito antiga.
Havia uma belíssima siciliana com o dedo verde, ou seja, aquela pessoa com o dom da jardinagem. Um belo dia, um mouro (que é como eles chamavam os árabes, que invadiram a ilha por um tempo), se encantou pelos jardins e pela moça.
Viveram alguns meses de romance, até que um dia o jurandir diz que precisa ir embora porque tem mulher e filhos na sua terra natal.
Putíssima (com toda razão), a bela planeja uma vingança; convida o sem noção para uma última noite de amor. Aí ela corta a cabeça do indivíduo e faz um cachepô, onde coloca um vaso de rosmarin. De tanto chorar em cima, a planta cresce maravilhosa.
Os vizinhos acharam que era a cabeça do moro e fizeram cópias de cerâmica que virou moda.
Eu acho é pouco o prêmio que o embuste ganhou.
A lenda também tem versões femininas, então tem variações para todos os gostos.
Eu não costumo comprar nada em viagens. Só trago de lembrança os mapas e as fotos (muitos anos viajando de moto; não tinha como). Além disso eu ando muito e detesto carregar sacolas.
Mas tem duas coisas que me tiram do sério: livros e objetos de arte. Consegui resistir bravamente às livrarias até aqui, mas quando estivemos em Caltagirone, visitamos um monte de ateliês e acabamos comprando um casal de Teste di Moro (é a última imagem da galeria!).
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