Os logos não são tudo aquilo que se pensava

Acabei de ler “A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre o que compramos” e estou encantada, assustada, perplexa, curiosa e cheia de palavras. Pena que a versão brasileira não conseguiu achar nada equivalente para traduzir a grande sacada que é “Buyology”, o título original.

O volume, escrito pelo consultor dinamarquês especializado em global branding, Martin Lindstrom, deveria ser leitura obrigatória para todo mundo que trabalha com marketing, design ou propaganda. É que o sujeito conseguiu parceiros suficientes para organizar o maior estudo até então feito sobre neuromarketing; ou seja, deu um jeito de escarafunchar nosso cérebro para descobrir como tomamos as decisões de compra.Baseada nessa e em outras pesquisas (uma delas provou que aquelas figuras escabrosas que aparecem nas embalagens mostrando os efeitos deletérios do cigarro acendem as áreas relacionadas ao prazer no subconsciente dos fumantes), Lindstrom conclui que os anúncios que mais incitam uma pessoa a fumar são aqueles com advertências. Bonés, cinzeiros e brindes com as cores da marca (mas não necessariamente com ela impressa) ajudam muito, seguidas pelas poderosas imagens subliminares sem nenhuma referência explícita à marca.

Marketing e galinhagem

A revista Veja dessa semana coloca na capa a identidade visual de uma conhecida marca de sabão em pó para anunciar a sua principal matéria: político artificial. À parte do propósito de esclarecer alguns aspectos sobre os motivos da carestia das propagandas eleitorais no Brasil, dois pontos me chamaram a atenção: o título “o marketing e a corrupção” e o fato da equipe de reportagem ter usado as palavras marketing e propaganda como sinônimos o tempo inteiro. E o pior é que a propaganda a que os jornalistas se referiam era justamente aquela enganosa, do mal mesmo.