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Vento em setembro

Toda vez que alguém vem do Brasil e cai na besteira de perguntar se eu quero que traga alguma coisa, minha primeira resposta polida é, “nada”.

Eu sei o perrengue que é fazer caber tudo em 23 kg (isso quando tem bagagem despachada — muita gente hoje viaja só com bagagem de mão). Mas se a pessoa insiste, não me faço de rogada: compro uns livros na Amazon e mando entregar na casa da querida.

Dessa vez foi com meu amigo Ricardo Beggiato; ele me trouxe “Vento em Setembro”, do Tony Bellotto, que ganhou o prêmio Jabuti com esse romance. Obrigada, meu querido!

Mas vamos à história.

Nosso protagonista é Davi Zimmermann, formado em jornalismo, mas herdeiro por profissão. O pai negociava artes e sua mãe, grega, morreu quando ele ainda era um bebê. Davi foi criado pelo pai cercado de muito carinho e muita cultura. 

Ele trabalhou um tempo como jornalista, mas depois da morte do pai e da herança, resolveu ser escritor. Seu primeiro livro foi sobre o trabalho de Aleijadinho, onde fazia um apanhado geral da obra e uma análise crítica do artista, além de um pouco de biografia. Na época, a namorada, uma fotógrafa famosa, percorreu com ele o interior de Minas Gerais fazendo os registros para o livro.

Quando o livro começa, ele vê na televisão um matéria com uma pixação “Deus está morto” (a famosa frase de Nietzsche) na parede de uma igreja em Ouro Preto. Ele fica intrigado e, mais ainda, quando o vandalismo se repete em outra igreja. 

Em paralelo, cerca de 40 anos antes, é contada uma história — a da riquíssima família Leonel, cujo patriarca, Máximo Leonel, é fazendeiro de soja. Máximo e Cassandra (que era jogadora de basquete na escola) tiveram 3 filhos: César, Winston e Alexandre.

No começo do livro, Leonel está organizando a festa de desvirginamento de Alexandre, que tem apenas 16 anos e é um rapaz sensível e quieto. Leonel faz uma festa de arromba e convida os homens da cidade inteira, as prostitutas mais famosas e caras da região e promove uma orgia na sua fazenda (Cassandra finge que não vê). Prefeito, políticos, professores; até o padre da cidade participa.

Ele contrata Laura, a mulher mais cara e desejada do país, famosa por receber e seduzir políticos até internacionais — para fazer o “trabalho”.

Só que na hora H, Alexandre desaparece (o que é totalmente compreensível; imagina a situação do coitado).

A partir daí, a história da família Leonel, a família da prostituta Laura (que tem um irmão gêmeo igualmente deslumbrante) e o passado de Davi, vão se entremeando de maneiras inesperadas. 

Existe um mistério que só se revela no final, depois de um plot twist — que fecha esse bordado caprichoso.

O texto, que eu já conhecia dos outros livros do Tony Bellotto, é preciso e bem trabalhado nas referências da cultura pop. Tem também muito sexo, drogas e rock’roll — se você tem restrições com relação a conteúdo adulto, não recomendo.

Como reserva, achei os personagens um tanto quanto estereotipados — as tintas são fortes e há pouca sutileza na construção. 

Mas, olha, de qualquer forma, achei a trama muito bem bolada. Eu li numa viagem de trem quase sem parar. A gente não larga o livro tentando adivinhar o que vem depois.

Gostei demais. Prêmio merecido.

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