Eu tinha certeza de já ter lido alguma coisa da Mary Higgins Clark, a rainha do suspense. Mas como faz pouco menos de 5 anos que comecei a resenhar livros de ficção, não me lembro da maior parte dos livros que li (devia ter começado antes…rs).
Como no meu sistema de revezamento estava precisando ler alguma coisa em alemão, quando vi num sebo “In einer Winternacht” (tradução livre: “Em uma noite de inverno”), resolvi levar para casa.
E o que posso dizer? Pensa num filme totalmente “sessão da tarde” — dá até para imaginar os cenários, personagens e diálogos passando na televisão. Esse é um livro perfeito para ler em outro idioma — personagens simples, cenários bem descritos, trama fácil de seguir e tudo de fácil digestão. Totalmente sessão da tarde…
A história começa com Lenny, um ladrão que entra em uma igreja para roubar as doações e uma relíquia doada à comunidade por um bispo. Acontece que quando ele sai pela porta de madrugada esbarra com um carrinho de bebê. Ele põe o butim dentro do carrinho e segue para a casa de sua mãe, achando que assim chama menos atenção.
Acontece que o carrinho de bebê foi deixado lá por uma moça de 18 anos, estudante de música. Ela engravidou por acidente e não tinha como cuidar da criança e estudar ao mesmo tempo — é uma história longa — os pais morreram quando ela era bebê e a menina foi adotada por um tio músico. Ele não pode mais tocar instrumentos por conta de uma doença e investiu tudo o que tinha na educação musical dela. A moça não queria dar esse desgosto ao tipo amado e ficou um bom tempo estudando o vigário da paróquia.
Ao se certificar que era uma boa pessoa e poderia conseguir uma família amorosa para cuidar do seu bebê, ela planejou deixar tudo certinho, com uma cartinha explicando, na porta da igreja. O próximo passo era ir até um orelhão e ligar anonimamente para o vigário informando sobre a criança.
Só que quando Sondra, a moça em questão, liga para a casa do padre, ouve o assistente dizer que ele não pode atender porque está falando com a polícia. Aliviada, ela desliga o telefone pensando que já encontraram seu bebê.
Só que quando o ladrão chega na casa da mãe, percebe que tem um bebê lá dentro e toma um choque: e agora? Ele não pode dizer para a mãe que estava assaltando a igreja e trouxe o bebê por engano. Então ele inventa uma história dizendo que é filha dele e que a mãe abandonou a criança e se mudou.
A velha senhora resolve cuidar da menina (chamada agora de Stellina) enquanto o filho some no mundo de novo e aparece de vez em quando trazendo problemas.
Agora se passam sete anos, Sondra vai tocar no Carneggie Hall (a história acontece em New York) e não consegue parar de pensar na filha abandonada. Ela vai pesquisar nos jornais e descobre que no fatídico dia, a igreja foi roubada. E nenhuma notícia do bebê encontrado. A moça entra em pânico e fica desesperada; não consegue se concentrar no trabalho e acaba conhecendo Alvirah, uma personagem carismática que mora no bairro.
Alvirah e seu marido Willy eram trabalhadores comuns de serviços gerais até que ganharam na loteria. Agora Alvirah se dedica a resolver mistérios e ajudar as pessoas.
A irmã de Willy é uma freira que dirige um abrigo para crianças ficarem enquanto os pais trabalham — abrigo esse frequentado por ninguém menos que Stellina. Só que a casa do abrigo está prestes a ser demolida — a desgraça só não é pior porque uma das voluntárias herdou um casarão próximo que será usada para esse fim. Porém, descobre-se que o testamento foi alterado para benefício dos inquilinos atuais — um casal de golpistas.
Alvirah trabalha para descobrir o quem é a criança desaparecida ao mesmo tempo que tenta desmascarar a fraude no testamento. Spoiler: ela consegue!
Não entendi muito bem porque a autora é considerada a rainha do suspense, pois é uma história bem humorada, simples, cheia de reviravoltas; mas não dá para dizer que tem suspense…rsrs
Depois fui pesquisar e achei interessante saber que a autora morreu em 2020, aos 92 anos, depois de publicar mais de 50 livros e ter dezenas deles adaptados para o cinema e televisão.
Aos 37 anos ficou viúva tendo 5 filhos para criar. Nessa época, ela trabalhava como aeromoça, mas começou a escrever roteiros de rádio e histórias curtas para complementar a renda — com o tempo, escrever tornou-se sua principal ocupação.
Como eu disse, o estilo dela é perfeito para ler em outro idioma (ou mesmo para quem está tentando voltar a ler em português).
No Brasil, esse romance saiu com o título “Pela noite adentro” e você pode adquirir o seu exemplar na Amazon do Brasil clicando aqui.


Obrigada, Lígia!