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Entrando na casa dos 60

Entro hoje (20 de outubro de 2016) na casa dos 60 e é claro que escolhi as portas mais bonitas e coloridas para fazer a passagem. 

Agora sou parte do seleto grupo das Sexygenárias!

Mas se você ainda tem 30, 40 ou 50, não pense que a gente muda: trago verdades do futuro!

Continuo exatamente a mesma.

A curiosidade permanece insaciável, assim como o talento para dar péssimos conselhos, a vontade de ler todos os livros e visitar todos os países, a falta de paciência, a paixão por dançar, o amor pelos bichos, a revolta com o capitalismo e a imensa raiva do patriarcado. 

Continuo achando que é papel do Estado reduzir a desigualdade, que a educação muda biografias, que vacinas salvam vidas e que a cultura e a arte são o que nos fazem humanos.

Para mim, o planeta é a única casa que temos, e ele não é fonte inesgotável de recursos; precisa ser cuidado e respeitado.

Acredito que o propósito da vida não é ser produtivo, gerar lucro ou acumular bens, mas colaborar, sentir, amar, aprender e se emocionar. 

Que todo ser humano merece dignidade; que todas as vidas importam: LGBTQIA+, negras, indígenas, imigrantes; todas. 

Que democracia é fundamental e feminismo é uma questão de sobrevivência.

Saí na rua para pedir “Diretas já!”; participei das passeatas dos caras pintadas reinvindicando o impeachment do Fernando Collor. Também passei uma época filiada ao partido Verde.

Era chamada carinhosamente por muitos parentes de “comunistinha” da família (mesmo nunca tendo sido comunista — eu só me interessava por política — algo muito natural para quem sempre amou ler).

Isso desde os 20 anos. E quer saber?

De lá pra cá só “piorei” 😂

Minha conclusão: 

Com o tempo, a gente se torna cada vez mais aquilo que sempre foi.

Que venham os 70!

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