Eu comprei “Hidden Figures” (tradução livre: “Desenhos ocultos”), de Jason Rekulak, de tanto que ouvi falar o quão incrível era. Eu detesto quando isso acontece, porque a minha expectativa era altíssima — e isso quase sempre estraga o mérito do livro, pois quando eu abro a primeira página, o autor já está devendo.
Então, o que posso dizer? O livro é muito bom, mas não tão revolucionário quanto eu esperava (já disse que minhas expectativas eram estratosféricas, então a culpa não é dele…rs)
Mas vamos ao que interessa: a história!
Mallory tinha um futuro brilhante pela frente como atleta quando um acidente mudou tudo. Ela passou meses em tratamento, usando analgésicos muito fortes e também perdeu a irmã nesse evento. Com o tempo e a instabilidade emocional, acabou se viciando nessas drogas e partindo para outras, mais fortes (é assim que começa a jornada da maior parte das vítimas do vício em opióides nos Estados Unidos — o analgésico vicia mesmo e a pessoa acaba virando um zumbi para sobreviver).
De aluna exemplar a drogada, foi um pulo. A mãe deixou de falar com ela e a menina só foi salva por um grupo de acolhimento que apoiou a sua reabilitação. Como era boa corredora, acabou sendo mentorada por um ex-coach (que também passou pelo processo) e, aos 21 anos, a moça já tinha conquistado 18 meses de sobriedade.
Agora, a grande oportunidade: uma vaga de babá para uma criança de 5 anos em uma cidade próxima, que seu mentor conseguiu.
O casal tinha recém retornado de Barcelona, onde o marido trabalhou por um tempo. A esposa era psiquiatra e trabalhava num hospital próximo. O menino, Teddy, tinha apenas 5 anos e precisava de alguém que cuidasse dele durante o dia até que ele entrasse na escola, alguns meses depois.
A casa era maravilhosa e tinha um chalé fofinho no quintal com piscina para Mallory ter a sua privacidade. O trabalho era ótimo; ela passava os dias brincando com Teddy, levava-o para passear, nadava na piscina e conversava muito com ele. O casal era super educado e valorizava muito o trabalho dela.
Só que Teddy começou a mostrar os desenhos que fazia compulsivamente e as imagens eram muito estranhas. O chalé, recém reformado e lindamente decorado, tem uma energia esquisita — a moça tem a sensação de que está sendo observada o tempo todo.
Ao mesmo tempo, Mallory fica sabendo que o chalé que ela estava ocupando tinha sido o ateliê de uma artista que desapareceu na floresta atrás da casa sem deixar vestígios (o corpo nunca foi encontrado).
A vizinha, uma espécie de mística esquisita idosa que, na descrição, mais parece uma dona de cabaré, tenta ajudar a decifrar o mistério dos desenhos, que vão ficando cada vez mais macabros, sofisticados e incompatíveis com uma criança de 5 anos, mas o casal, desencoraja fortemente o contato e simplesmente proíbe a criança de continuar desenhando.
Mallory conhece então Adrian, que acredita nela e concorda que alguma coisa está errada; eles se unem para descobrir o que está acontecendo.
Eu esperava que o mistério fosse desvendado de alguma maneira que não apelasse para o sobrenatural — mas não é o que acontece. Eu sempre acho essa uma solução muito fácil.
Mas aqui o autor foi extremamente criativo; sim, tem sobrenatural, mas também tem plot twists, ação, suspense e muitas revelações espetaculares.
Não era o que eu imaginava, mas mesmo assim não deixa de ser muito bom. Recomendo a leitura se você gosta do quadro Luz Acesa do podcast Não Inviabilize.
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