Eu achei “Nobody’s fool” (tradução livre: “Ninguém é bobo”), do Harlan Coben, num sebo e confesso que mal prestei atenção no título. Eu estava atrás de qualquer obra desse autor, pois toda vez que passava pelo post de algum influencer de livros, via alguém elogiando o sujeito.
Pois fui ler com meus próprios olhos. E vale o hype.
Já começa que o protagonista, Sami Kierce, apesar de ter nascido e crescido nos EUA, tem ascendência paquistanesa, o que faz muita gente confundi-lo com um indiano. Então ele é um homem pequeno para os padrões americanos, o que foge bastante do modelo de agente secreto, detetive ou super herói. Achei isso muito bom.
Tudo começa com Sami, recém saído do colégio, aos 21 anos, de férias, mochilando com alguns colegas na Espanha. Na Costa do Sol ele encontra Ana num clube. Eles dançam a noite toda e começam a ficar.
Os dias passam, os amigos seguem viagem e Sami, apaixonado, resolve ficar mais um pouco com Ana; ela o convida para ficar no seu apartamento. A vida deles é ir à praia, dançar a noite inteira e usar muitas drogas.
Até que alguns dias depois, Sami acorda de manhã com uma faca na mão. Ele olha para o lado e Ana parece morta; ela está totalmente banhada em sangue. Com ressaca, muitas drogas na cabeça, ele simplesmente não se lembra do que aconteceu.
Eis que aparece, aos gritos, o dealer de drogas da Ana, amigo tão próximo que aparece no apartamento sem bater — ele vê a cena e fica berrando para Sami, dizendo que ele tem que fugir. O que o rapaz faz. Só que, mesmo apavorado, ele vai até uma delegacia, conta a história toda, exceto a parte em que ele acorda com a faca na mão.
O investigador vai com ele procurar o tal apartamento (ele não se lembra exatamente o bloco e o andar, pois sempre entrava e saía com a Ana) e não encontram nada. Sami liga para o pai desesperado e o conselho que recebe é: pegue o primeiro avião e volte para casa. Você não é um rapaz branco, não pode correr o risco de ficar aí tentando explicar o que aconteceu.
Sami volta pra casa, mas sua vida nunca mais é a mesma. Seu sonho era cursar medicina, mas ele passa anos perdido sem saber o que fazer da vida, com aquele fantasma assombrando seu passado. Será que ele matou uma pessoa, mesmo sem saber? E uma moça que ele gostava?
No final ele acaba se tornando policial; apaixona-se por uma colega e fica noivo. Só que Nicole, a moça, tinha um ex tóxico que não supera o final e jura matá-la, o que consegue realmente fazer.
Sami fica tão enlouquecido que ultrapassa os limites da investigação e consegue provas usando meios, digamos, menos corretos. O homem é condenado, mas Sami é expulso da polícia.
Agora, 22 anos depois da história com Ana, ele está casado com Molly e tem um bebê de um ano, Henry. O casal parece feliz e não tem segredos. Molly parece super bem resolvida, mas eles têm problemas financeiros complicados, pois Sami vive de bicos e dá aula num curso de criminologia numa sala cedida por um amigo num prédio semi abandonado. Com um filho pequeno, Molly ainda não consegue sair para trabalhar.
Um dia, está Sami pleníssimo dando sua aula (ele adora fazer isso) quando uma pessoa aparece na porta: ele jura que é Ana e sai correndo atrás que nem um maluco. Ele não consegue alcançá-la, mas dá um jeito de jogar um AirTag dentro do bolso do casaco dela quando chega perto.
Ele a segue e dá de cara com uma mansão fortificada; mais umas pesquisas e Sami descobre que Ana parece ser a filha de uma família riquíssima, desaparecida 3 anos antes do encontro deles na Espanha — e na verdade, chama-se Victoria.
Em paralelo com isso, uma ONG que protege pessoas condenadas sem os devidos recursos, libera o assassino da sua ex-noiva (como se disse, Sami conseguiu as provas usando meios ilegais). Agora ele tem um cara que passou mais de 20 anos na cadeia por causa de Sami, completamente livre, leve e solto.
Ou seja, tensão, suspense e aventura para montar esse quebra-cabeças é o que não falta. Sami inclusive usa seus alunos para investigar tudo sobre a moça (especula-se inclusive que ela tenha sido sequestrada por uma gangue de tráfico humano). As equipes dos estudantes são super eficientes, pois todos querem mostrar trabalho, incluindo um trio de moças que está fazendo o curso porque quer montar um podcast sobre true crimes.
Sami é gente boa e amigo da rapaziada, portanto, tem contatos em todos os lugares, incluindo um bom advogado e seu ex parceiro de polícia para ajudar a desvendar o mistério.
Olha, se tem alguém que sabe contar bem uma história, ir entregando cada peça e fazer você se divertir muito, é esse autor. Ele tem outras histórias transformadas em filme e acho que essa é uma boa candidata.
Já encontrei outro dele em alemão e logo vou dizer se o fôlego se sustenta.
Em português, esse livro saiu como “Não se deixe enganar” e você pode comprar o seu exemplar clicando nesse link da Amazon do Brasil.

