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99 maneiras de contar uma história

Não me lembro mais onde vi alguém comentando sobre esse livro, mas, como estudiosa de criatividade, não podia perder “99 ways to tell a story: exercises in style” (tradução livre: “99 modos de contar uma história: exercícios de estilo”), de Matt Madden.

O autor, que é um cartunista famoso e professor na escola de artes visuais na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, diz que se inspirou no livro “exercícios de estilo” de Raymond Queneau, que tem uma proposta parecida, só que usando texto.

Madden pegou as mesmas premissas para trabalhar visualmente (que é a área dele) e eu achei o exercício muito divertido e igualmente desafiador.

O plot é o seguinte: Um homem está trabalhando no seu laptop quando ele se levanta da cadeira e vai para uma sala onde tem uma escada espiral. Lá de cima, uma voz pergunta: que horas são? Ele responde: São 1h15. A pessoa agradece e ele abre o frigobar que fica bem ao lado da escada. Aí olha para o conteúdo e pensa: o que é que eu estava procurando mesmo?

Pois é. Agora o desafio é contar essa mesma história de 99 maneiras diferentes. E não é que ele consegue, minha gente? 

 Obviamente não vou aqui mostrar todos (até porque são quadrinhos), mas meu objetivo é mostrar quanta coisa dá para fazer variando o estilo, o ponto de vista, a linguagem, o foco, a perspectiva, as ênfases, e até o enquadramento.

Vou dar uns exemplos aqui.

Você pode contar a história com um desenho bem estilizado e básico; ou pode fazer os quadros bem trabalhados, com cada detalhe aparecendo.

Pode enfatizar as expressões faciais ou os sinais gráficos que indicam emoções.

Pode contar a história do ponto de vista de um observador externo (um voyeur), da pessoa que está no andar de cima, do protagonista ou mesmo do frigobar.

Pode dar destaque somente aos sons, pode listar os elementos da narrativa sem conectá-los, pode fazer no formato de um manual de instruções, pode mudar a linha do tempo, pode contar toda a história mostrando apenas as mãos  do protagonista.

Pode narrar não apenas os fatos, mas indicar o que o protagonista está pensando e seus sentimentos (que podem ter várias versões), pode contar cada parte da história num estilo gráfico que remeta a um cartunista diferente, pode transformar todos os quadrinhos num só no estilo de uma charge política.

Pode fazer uma fotonovela, pode desenhar um mangá, pode descrever tudo como se fosse uma cena de guerra, ou um romance açucarado, ou uma cena de ficção científica, ou uma história de fantasia, ou faroeste, ou um policial noir.

Pode ser uma tirinha de humor (adulta ou infantil), super herói, transformar a página com 4 ou 5 quadros em 30 quadros, detalhando cada passo, pode replicar os personagens, pode inverter a história ou colocá-la dentro de um contexto, pode extrapolar o desenho de cada quadrinho com cenas absurdas, pode contar a história em forma de palíndromo (dá para ler de trás pra frente que fica igual).

Dá para contar a história como se fosse uma sequência de ilustrações num vaso egípcio antigo ou numa tapeçaria, um cartoon dos anos 1920, uma propaganda de revista antiga, um mapa, enfatizando ou não cores, trabalhando com uma paleta de cores reduzida ou só preto e branco, usando gráficos, construindo um storyboard, fazendo cada quadro ser um anúncio de um produto que aparece na cena, usando só frases (sem desenhos), mudando a cena de local (por exemplo, um bar, uma festa ou um submarino), exagerando os gestos, com um personagem faltando ou adicionado outro.

Enfim, são muitas possibilidades (na verdade, são infinitas!).

Achei esse livro muito inspirador, daqueles que é bom ter sempre à mão para quando a gente está sem ideias. 

Trabalhe você ou não com criatividade, recomendo demais.

Pena que não tem em português, mas achei uma versão em espanhol na Amazon do Brasil que com certeza, dá conta de passar a mensagem.

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