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Atmosfera

Comprei esse livro porque vi uma pessoa recomendando nas redes sociais — a história se passa com aspirantes a astronautas na NASA — e as protagonistas são mulheres. Além disso, a autora de Atmosphere, Taylor Jenkins Reid, também já tinha escrito “Os 7 maridos de Evelyn Hugo” (lei a resenha aqui), que eu tinha gostado.

Não tive outro jeito, né? Fui para a Amazon e garanti o meu.

Então vamos à história.

Joan é uma astrônoma daquelas que nasceu para isso; teve seu primeiro telescópio aos 7 anos de idade. Além de excelente aluna, ela também é exímia pianista, desenha e corre. 

Bárbara, a irmã dela, ao contrário, não consegue se encontrar na vida e se ressente do sucesso da irmã. Bárbara é a rainha das decisões erradas, até que engravida numa balada sem saber quem é o pai e mesmo assim, resolve ter o bebê. 

Claro que criar um bebê sozinha é uma coisa complicadíssima — mas Bárbara não aceita a ajuda dos pais — só da irmã, que praticamente vira o pai da criança (daqueles presentes). Paga a escola, fica com ela nos finais de semana, leva na escola quase todo dia, preocupa-se com os horários e alimentação, e, mais do que isso, inspira a menina e ensina a ela muitas coisas interessantes.

Quando Frances (a menina) tem por volta de 6 anos, Barbara vê um anúncio na TV e fala para a irmão que a Nasa está recrutando mulheres especialistas para as próximas missões. 

Joan não está muito satisfeita profissionalmente; depois de terminar seu doutorado, ela começou a dar aula numa universidade em Houston, mas só para as turmas de calouros. Ela sente que seu talento e toda a sua pesquisa estão sendo desperdiçados. Então ela se inscreve, mas não é chamada.

No ano seguinte, abrem-se as inscrições novamente — ela quase não se inscreve, deixa para o último dia. Mas, adivinhe? Ela foi chamada para ser uma ASCAN (AStronauts CANdidates) e é aí que a vida da moça realmente muda.

Bárbara, que no início, foi quem deu a ideia para a irmã, agora surta, pois quem vai cuidar de Frances quando ela precisar? Mas Joan vai em frente e, junto com sua turma, sente-se realizada pela primeira vez na vida.

Estamos em 1981 e as colegas de turma são todas as melhores alunas (claro, senão não teriam sido escolhidas). Joan, assim como a maioria, é especialista — não astronauta que pilota a missão. É que somente pilotos militares são aceitos como astronautas e a força aérea americana não aceita mulheres. Então não tem como.

Esse é o motivo de frustração de Vanessa, sua melhor amiga, que é engenheira aeronáutica — ela é a melhor piloto da equipe, mas nos exercícios do grupo (os astronautas precisam cumprir uma meta de horas de voo por semana), ela sempre tem que ir “na garupa”. Os colegas militares se ressentem e não dão chance para ela.

Mas o livro começa em 1984, quando Joan está na sala de controle de uma missão onde Vanessa e seus melhores amigos estão. Só que acontece uma acidente e Vanessa vai ter que trazer a aeronave de volta (mesmo sem ter tido esse tipo específico de treinamento).

No decorrer da história, que vai e volta para o dia fatídico, a gente fica sabendo que Joan e Vanessa se apaixonam perdidamente, mas que o romance não é permitido na Nasa; não porque elas sejam colegas (há outros casais, inclusive com filhos), mas porque lesbianismo é considerado desvio sexual não tolerado.

Tem coisa mais revoltante? Sério. As duas melhores profissionais do time, mais dedicadas e leais!

Pois é, mas entre o primeiro encontro e o dia do acidente (onde ainda não sabemos quem vai sobreviver e se vão conseguir voltar), muita coisa acontece, inclusive no relacionamento entre Joan, Bárbara e Frances.

Me marcou quando o time de aspirantes acompanha a primeira missão com uma astronauta mulher, e todas elas estão preocupadas que ela seja perfeita. Um erro e pode custar a carreira de todas as que vêm atrás, pois nós mulheres sabemos que, como somos raras em algumas profissões, as pessoas usam para generalizar todo um gênero.

Se você conhece uma motorista de ônibus que se envolveu num acidente, é porque todas são péssimas. Ninguém considera os milhares de homens motoristas incompetentes envolvidos. De uma mulher numa área dominada por homens, nunca se espera menos que a perfeição. Cansativo demais. 

Olha, achei que a história se arrasta um pouco em alguns trechos e que Joan é fraca com relação à irmã Bárbara, que a domina por meio de chantagens emocionais e usa a filha como escudo, pois sabe que Joan tem uma forte conexão emocional com ela. Mas, no geral, gostei de passar uns dias com ASCANs da Nasa, apesar de um pouco triste ao saber que, esses dias, aquele pedófilo que está governando o país resolveu tirar todas referências de mulheres das bibliotecas da instituição. Pensa no tanto que o estuprador deve ser mal resolvido por se sentir tão ameaçado por mulheres. 

Enfim, aguardemos o final dessa história. A do romance, não vou contar para não dar spoiler…rsrs

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1 comentário

  1. […] Resenha do livro  Atmosphere, Taylor Jenkins Reid. O texto escrito está nesse link. […]

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