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Quiçá

Quiçá, o romance da premiadíssima Luisa Geisler (a moça coleciona prêmios e tem obras traduzidas em mais de 15 países) me foi muito bem recomendado por vários perfis de leitura que eu sigo nas redes sociais. Esse livro, inclusive, venceu o Prêmio Sesc de Literatura. 

Comprei cheia de expectativa, pois a sinopse realmente parecia interessante. Vamos à história, então.

Clarissa é uma menina de 11 anos de idade, classe média alta, com ambos os pais trabalhando numa agência de publicidade criada por eles. Ela é super bem comportada e só tira notas boas. Porém, não tem amigos e passa a maior parte do dia sozinha em casa ou em aulas de natação ou piano, além da escola.

Arthur tem 17 anos e tentou suicídio. Como medida preventiva, a mãe dele (irmã da mãe de Clarissa), pediu para que ele se mudasse da pequena cidade do interior de Distante (50 mil habitantes), onde viviam, para o apartamento da irmã, na metrópole São Patrício (a maior, mais populosa e mais industrializada cidade do país). 

Então Clarissa, que estava sempre sozinha, teria a companhia de seu primo. E esse se afastaria de seja lá o que for que tenha provocado a vontade de desaparecer do mundo. Parecia bom para todos.

Os pais de Clarissa são tão workaholics que chegam a ser caricatos; pensa em dois personagens rasos, que só pensam em trabalho — eles saem às 9 h da manhã de casa e só volto perto da meia-noite. Todos os dias, inclusive sábados e domingos. Toda a conversa com eles se resume a reuniões, projetos e clientes. Nada mais no mundo interessa àqueles dois.

Ou seja; a filha mal vê a cara dos genitores. Arthur acaba fazendo 18 anos e ganhando uma carteira de motorista para levar e buscar a menina no colégio, que era praticamente o único contato que os pais tinham com ela. O primo vai nas reuniões da escola e nas apresentações, já que a dupla nunca está disponível.

Não que o moço seja um poço de juízo — ele é um adolescente comum, que bebe e fuma sem limites, vive em festas e falta a todas as aulas possíveis. Leva Clarissa para a casa de seus novos amigos onde usam drogas e brincam com jogos eletrônicos. Pelo menos nada de ruim acontece e Clarissa passa a ampliar um pouco mais sua janela para o mundo.

Os dois são companheiros de assistir seriados na televisão enorme do apartamento luxuoso e também comem porcaria juntos. A única testemunha é o gatinho vira-lata que Clarissa achou na rua e conseguiu convencer os pais a adotá-lo.

A vida é chata, monótona e segue se arrastando sem acontecimentos fora da rotina. Clarissa é uma menina sensível, como qualquer uma da sua idade, mas sem nada de especial (acho que até eu era mais curiosa e com mais atividade mental do que ela nessa idade). 

O primo é um porra-louca sem nenhum juízo, desprovido de qualquer talento ou interesse, e igualmente banal. Nem dá para dizer que ele é especialmente sensível ou tem algum tipo de empatia extraordinária pela prima. Tudo ali é esperado, corriqueiro e trivial.

A história se desenrola monotonamente durante o ano que Arthur passa na casa de Clarissa. Tem flashes de almoços de família, com todas as tias, tios e primos — muita comida e perguntas indiscretas, como qualquer outra família. 

Entre os capítulos, rola sempre uma história aleatória de personagens sem nenhuma conexão com a história que aparecem e desaparecem sem deixar vestígios ou contexto.

Para mim, o livro pareceu o rascunho de um romance misturado com algumas ideias a serem desenvolvidas em algum tempo futuro.

Sério, eu perdi alguma coisa importante — não tive capacidade intelectual de entender a profundidade do texto. Achei muitíssimo chato; confesso que só terminei porque era um livro pequeno (236 páginas) e eu queria ver se pelo menos iria acontecer alguma coisa que justificasse a história. Sei lá.

Olha, com todo respeito — não gostei. De verdade. Não entendi o prêmio. Mas se essa resenha cair na mão da autora algum dia, que ela não fique chateada. Também não me entendi com “A paixão segundo GH”, da diva Lispector. Então, provavelmente a falha é minha mesmo. 

Por isso, não acredite muito na minha análise e vá você mesmo, por sua conta e risco, formar sua opinião. Se quiser, compre seu exemplar na Amazon do Brasil clicando aqui.

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