Archive for the ‘livros’ Category

Será que você é um iconoclasta?

Friday, September 3rd, 2010

Fotografia: Paolo Franco

Fotografia: Paolo Franco

Perguntinha capciosa essa, heim? Vou dar uma pista, afinal, até alguns dias atrás, eu nem fazia ideia se isso era de comer ou de beber.

Vamos lá: iconoclasta, significa, literalmente, destruidor de ícones. A origem da palavra data de 725 d.C., quando Leo II, imperador de Constantinopla, destruiu o ícone dourado de Cristo instalado nos portões de seu palácio. O iconoclasta não respeita símbolos, ídolos, imagens religiosas ou qualquer tipo de convenção social ou tradição. Um iconoclasta entende que nada nem ninguém é digno de culto ou reverência.

Quem desenterrou isso lá das antigas e trouxe para o nosso mundinho contemporâneo foi o neurocientista Gregory Berns, com seu ótimo livro “O iconoclasta“.

Berns atualiza o conceito quando diz que iconoclasta é uma pessoa incomum que interpreta a realidade de maneira distinta e faz aquilo que o senso comum julga impossível de ser feito. Ou seja, iconoclastas são inovadores, aquela raça que muda o mundo e vira pelo avesso tudo o que a gente conhece. Nem sempre esse povo é fácil de lidar, mas são eles que fazem a civilização andar.

Os iconoclastas são pessoas diferentes da média e vêem o mundo de uma maneira diversa e original. Gregory Berns descobriu, inclusive, que o cérebro dessas pessoas é diferente em três aspectos principais: a percepção, a resposta ao medo e a inteligência social. (more…)

Faça como Steve Jobs

Sunday, August 29th, 2010

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Em busca de um jeito melhor de apresentar e organizar minhas ideias, comprei “Faça como Steve Jobs e realize apresentações incríveis em qualquer situação“, de Carmine Gallo. Nossa, se todo mundo lesse isso, quanta diferença em produtividade teríamos.

O autor é especialista no assunto e estudou ponto por ponto o que faz as apresentações de Jobs serem tão encantadoras e convincentes (é claro que ele tem produtos espetaculares para apresentar, o que facilita muito as coisas, mas estes também são reflexo do Job’s way of thinking).

É interessante observar que tudo no livro é absolutamente coerente com a bíblia das apresentações (Presentation Zen - Simple Ideas On Presentation Design And Delivery, de Garr Reynolds), que também recomendo fortemente (além do que, o livro é liiiindo!).

Mas vamos ao que interesssa: o que Steve Jobs faz de tão excepcional que atrai todo mundo para as suas apresentações? Vou compartilhar um pouco do que li, mas recomendo o livro todo.

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Sensacional: Floripa letrada

Wednesday, August 25th, 2010

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Olha só o que acabei de ficar sabendo pelo sempre antenado Caros Ouvintes: Florianópolis agora vai ter um projeto de leitura nos terminais urbanos, tipo uma biblioteca de gente civilizada, onde você pega o que quer e depois devolve, sem precisar de carteirinha.

O projeto está funcionando em três terminais: Centro, Rio Tavares (Sul da Ilha) e Canasvieiras (Norte da Ilha), por onde passam 185 mil pessoas diariamente. Entre livros e revistas, 2.500 obras já estão disponíveis.

Olha como funciona

1- Pegue a obra que quiser nos expositores (estantes) em um dos terminais do projeto.
2- Se quiser, leve o livro ou a revista para ler durante o trajeto da sua viagem (pode levar para casa também).
4- Depois, devolva em um dos expositores e dê a oportunidade para que outras pessoas também possam ler.
5- Para aumentar o número de obras, faça doações colocando seus livros e revistas nas estantes dos terminais.

Uauauauau!!!! Nota mil para quem teve a ideia e conseguiu implementá-la!

Dicionário analógico

Sunday, August 22nd, 2010

Fotografia: Marina Camargo

Fotografia: Marina Camargo

Sempre tive um carinho especial por dicionários. Apesar de eu ter sido a primeira pessoa da minha família a ter curso superior, sempre se leu muito lá em casa. A gente tinha um dicionário na cozinha, porque na hora do almoço era a única maneira de encerrar as discussões acaloradíssimas dos Fascioni (tutti buona genti…).

Adoro abrir um dicionário e ficar achando coisas, até me esquecer do que estava procurando. Em casa tenho vários, inclusive um grego-inglês e um russo-alemão que ganhei de um amigo austríaco do meu pai.

Pois na última vez em que estive em Sampa, naquele paraíso que é a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, não pude resistir ao “Dicionário Analógico da Língua Portuguesa“, de Francisco Ferreira dos Santos. O analógico, no caso, não é em oposição ao digital; tem a ver com o fato da obra usar analogias e ideias relacionadas, em vez de trazer apenas o significado como os dicionários comuns.

Aliás, esse é um dicionário bem diferente dos outros, já que as palavras não estão por ordem alfabética. O conceito de um dicionário analógico, ou Thesaurus, foi criado por Peter Mark Roget em 1805. Ele parte do pressuposto que nos dicionários comuns a gente busca os significados de uma palavra que já conhece para entendê-la melhor e fazer uso correto dela.

Ao contrário, num Thesaurus, a gente já tem a noção do significado e do uso; só não nos ocorre uma palavra que se encaixaria direitinho no contexto. Então, olha só que moderno: o Thesaurus, a partir de possíveis significados, oferece uma nuvem de palavras relacionadas — são vocábulos análogos com maior ou menor grau de proximidade e exatidão. Assim a gente descobre um montão de coisas, inclusive, talvez, uma palavra que traduza bem o que a gente está querendo dizer.

Usar um Thesaurus não é tão intuitivo como um dicionário comum e requer um pouco de prática (ainda estou aprendendo).

Primeiro, as palavras são organizadas em 6 classes com suas respectivas divisões: relações abstratas (existência, relação, quantidade, ordem, número, tempo, mudança, causa), espaço (em geral, dimensões, forma, movimento), matéria (em geral, inorgânica, orgânica), entendimento (formação das ideias, comunicação das ideias), vontade (individual, com referência à sociedade) e afeições (em geral, pessoais, simpáticas, morais, religiosas). Depois, é apresentado um quadro sinóptico de categorias, onde se desdobra cada divisão para a pessoa se orientar quando for procurar uma palavra e suas ideias afins. Para quem é iniciante e está um pouco perdido, há um índice remissivo no final que ajuda bastante.

Em português, essa é a segunda edição da obra (a primeira foi há 60 anos) e não se conhece outro dicionário impresso de ideias afins no Brasil tão amplo e completo (há apenas trabalhos para áreas de conhecimento específicas).

A língua inglesa, que conta com muito mais bibliografia, já tem várias versões, inclusive uma muito interessante onde as palavras são apresentadas graficamente numa árvore de relações, muito parecido com um mapa mental (olha aqui).

Pois é, achei que vocês ficariam contentes com a dica.

Eu disse contentes? Na verdade, quis dizer prazenteiros, alegres, felizes, recontentes, satisfeitos, animosos, com o espírito desafogado, bem-dispostos, ledos, fagueiros, gozosos, lépidos, radiantes, exultantes, hílares, joviais, jubilosos, sorridentes, grazis, risonhos, jucundos, brilhantes, garridos, gaudiosos, álacres, vivazes, bonachões, ridentes, lestos, moinantes, galhofeiros, divertidos, pândegos, gárrulos, patuscos e expansivos.

Ficaram?

Pensar ou ter razão?

Wednesday, August 18th, 2010
Fotografia: Howard Berman

Fotografia: Howard Berman

Em 1909, Harry Gordon Selfridge, fundador de uma loja de departamentos em Londres, cunhou a seguinte máxima para motivar seus funcionários a serem gentis: “o cliente tem sempre razão“. Desde então, a polêmica tem rolado solta. Há quem concorde, quem discorde, e até quem que se meta em brigas acirradas para ter razão sobre quem tem razão.

Coloque a frase entre aspas no Google, nosso oráculo moderno, e você vai encontrar todo tipo de defensor de cada parte. É como se clientes e empresas fossem inimigos declarados, cada qual tentando defender seus direitos.

A questão é que mais de um século já se passou e tem gente que não reparou que, não apenas essa página da história do marketing e relacionamento com clientes já foi virada há tempo, como até o livro mudou. Não faz mais sentido discutir esse tipo de coisa.

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As marcas não são tudo aquilo que se pensava

Sunday, August 8th, 2010

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Acabei de ler “A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre o que compramos” e estou encantada, assustada, perplexa, curiosa e cheia de palavras. Pena que a versão brasileira não conseguiu achar nada equivalente para traduzir a grande sacada que é “Buyology“, o título original.

O volume, escrito pelo consultor dinamarquês especializado em global branding, Martin Lindstrom, deveria ser leitura obrigatória para todo mundo que trabalha com marketing, design ou propaganda. É que o sujeito conseguiu parceiros suficientes para organizar o maior estudo até então feito sobre neuromarketing; ou seja, deu um jeito de escarafunchar nosso cérebro para descobrir como tomamos as decisões de compra.

Na real, cada capítulo mereceria uma resenha, mas um dos que mais me deixou perplexa foi o que fala de propaganda subliminar. Lindstrom conta que o termo foi cunhado em 1957 pelo pesquisador de mercado James Vicary, com a lendária inserção de quadros incitando o consumo de pipoca e Coca-Cola no meio de um filme, de maneira que só o subconsciente das pessoas conseguisse reconhecer as mensagens. Vicary saiu divulgando que as vendas tinham aumentado consideravelmente depois dessa experiência (e por causa dela), mas depois, em 1962, quando o experimento foi refeito e não se conseguiu os mesmos resultados, o próprio assumiu em uma entrevista que tudo não passava de invenção, inclusive os números referentes ao aumento das vendas. A Associação Psicológica Americana decretou que a propaganda subliminar não funcionava tão bem como a tradicional.

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Senhoras da valsa

Sunday, August 1st, 2010

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Cá entre nós, não é por ser minha mãe, mas essa mulher não é fraca não. Clotilde Fascioni publicou seu primeiro romance espírita (Perfume de Magnólia) há pouco mais de um ano e teve a edição esgotada (agora vai ser reeditado por outra editora). Isso sem contar a participação em edições coletivas de contos e os livros infantis.

Esse mês, a Clotilde está lançando “Senhoras da Valsa“, a história de três velhinhas que moram em um asilo, sendo que uma delas guarda um grande segredo. Quer saber mais? Procure numa livraria espírita ou escreva para a a Clô que ela manda um livro autografado para você e as instruções de pagamento (custa R$ 28). O e-mail dela é esse aqui. Visite o blog Espírito de Escritora clicando aqui.

Uma capa por dia

Tuesday, July 13th, 2010

Gente, olha só que link mais sensacional o meu querido professor de yôga Enio Peretti me mandou: o elegantíssimo blog a book cover day, que publica todo dia uma belíssima capa de livro. Pelo jeito o blog é bem jovem, pois ainda só tem 3 páginas, mas tem tudo para ser um sucesso. Pelo bom gosto nas escolhas, virei fã e vou frequentar. Olha só uma amostra.

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Comer, rezar, amar

Saturday, July 10th, 2010

comer20rezar20amar1Acabei de ler o livro de Elizabeth Gilbert e posso dizer: gostei. Aliás, não gostei, adorei. É uma história comprida que começa com uma crise existencial; Liz tinha tudo: uma casa, um marido, amigos e um emprego bacana. Quando começou a cobrança para que ela engravidasse, a cabeça deu um nó e ela entendeu que essa não era a vida que queria ter. Entre um divórcio traumático onde ficou sem nada e cheia de dívidas, crises de depressão profunda, tratamentos diversos e aulas de yôga, Liz conseguiu uma antecipação dos direitos do livro que ainda iria escrever e resolveu se dar de presente um ano sabático: Itália, Índia e Indonésia; 4 meses sozinha em cada lugar em busca do auto-conhecimento e da paz interior.

Apesar de me reconhecer muito nela em algumas coisas (não quero ter filhos, adoro viajar e escrever, além de praticar yôga também e até ter começado a aprender italiano), não sou nem um pouco mística ou religiosa e acho que nem tão encanada assim (não consigo me imaginar tendo depressão). Mas é muito bom viajar com ela, descobrir lugares e pessoas, entender como a mente funciona e meditar bastante (coisa que ainda não consigo). A moça é inteligente e consegue tirar lições importantes do sofrimento sem ser piegas, além de escrever muitíssimo bem. No final ainda tem uma história de amor (ôba, adoro!) e com um brasileiro!

Como o livro está na lista dos mais vendidos há quase dois anos em vários países, ganhou sua versão para o cinema com a Julia Roberts no papel principal (acho que vai ser lançado ainda esse ano). Vi o trailer e achei que não tinha muito a ver com o que li, mas só pelos cenários deve valer a pena.

Recomendo.

A viagem do elefante

Monday, July 5th, 2010

21441856_4O José Saramago era assim: ou a pessoa amava o que ele escrevia, ou não conseguia se entender muito bem com aquelas vírgulas todas e acabava deixando-o de lado. Faço parte do primeiro grupo; desde o “Ensaio sobre a cegueira“, que li há uns 15 anos, fiquei tão impressionada que não perdi mais nenhuma oportunidade que apareceu para desfrutar dessa imaginação tão fértil e surrealista.

Além desse, os volumes “Todos os nomes“, “Conto da ilha desconhecida“, “As intermitências da morte“, “A jangada de pedra” e “A caverna” foram os que li até agora, e só não fiquei mais triste com a morte do autor porque ainda tenho uma lista enorme com a qual me ocupar por um bom tempo.

Pois peguei uma promoção relâmpago no Submarino e comprei “A viagem do elefante” por R$ 9,90 (agora está por R$ 34,90). Conta a história do Salomão, um elefante indiano que vai parar em Portugal e acaba sendo enviado pelo rei D. João III como um presente ao seu primo Maximiliano, Arquiduque da Áustria. A questão é que o presente precisa ir andando de Portugal até Viena; depois de meses de caminhada, o pobre paquiderme ainda tem que atravessar os desfiladeiros alpinos em pleno inverno, sempre acompanhado por seu cornaca Subhro (cornaca é o sujeito especializado em cuidar de elefantes) e uma comitiva real.

Os diálogos e as linhas de raciocínio são brilhantes como só Saramago é capaz, o que faz a gente viajar no lombo de Salomão bem na garupa de Subhro.

Desembarquei ontem à noite e já estou com saudades. Recomendo.

Simplesmente vermelho

Sunday, July 4th, 2010

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A gente vive num mundo colorido e sabe que cada cor tem seu valor, mas nenhuma é tão polêmica e cheia de personalidade como o vermelho. Por causa dela, reis, imperadores e até cidadãos comuns fizeram intrigas, guerras, espionagem e tingiram o solo de sangue, veja só.

Sobre a epopéia do vermelho é que trata o curioso “A perfect red: empire, espionage and the quest for the color of desire“*, de Amy Greenfield. A gente não faz idéia, mas o vermelho teve participação importante na economia de países, na manutenção de impérios e até na preservação ou aniquilação de vidas.

A autora (por sinal, filha e neta de tintureiros) conta que na Idade Média, a arte de tingir tecidos era conhecida e dominada por poucos e que esse expertise era passado de pai para filho. Conseguir os pigmentos corretos e fazer com que tecidos parecessem vivos e brilhantes era um desafio formidável, se considerarmos os parcos recursos; mas não menor era a dificuldade em impedir que desbotassem. O trabalho de tintureiro, apesar de muitíssimo bem remunerado, era sacrificante; o sujeito tinha que lidar com tinas enormes, temperaturas desumanas, ácidos perigosos, gomas tóxicas e substâncias esquisitas (estercos e fluidos corporais de animais diversos eram largamente usados como componentes).

Num mundo dominado pelo cinza, bege e branco-sujo (pense nos cenários dos filmes dessa época), uma cor viva nas vestes era privilégio de poucos (nobres, ricos e sacerdotes). E de todas as cores, a mais difícil de se obter e conservar era o carmim. Pessoas comuns, mesmo que tivessem acesso, eram proibidas por lei de usar esse tom (que variava muito de aparência, indo do vermelho amarronzado ao púrpura).

Durante o renascimento, a admiração pelo escarlate passou a ser um verdadeiro fetiche, de maneira que os proprietários de roupas dessa cor eram realmente afortunados (tecidos vermelhos equivaliam quase a ouro e jóias). A importância da coisa era tamanha, que os tingidores de Lucca, na Itália, famosos pelas suas habilidades e competências, eram sentenciados de morte caso resolvessem trabalhar em outra cidade (e os reis de vários lugares viviam fazendo-lhes convites indecorosos).

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Sobre gatos e livros

Sunday, June 27th, 2010

submarino_21426825Hoje passei a tarde soluçando de tanto chorar. É que fiquei lendo “Dewey, um gato entre livros“, de Vicky Myron e Bret Witter. Do ponto de vista literário, o livro é básico, previsível e sem nada de especial; mesmo assim, me pegou de jeito.

O volume conta a história de Dewey, um gatinho que foi encontrado na caixa de devolução de livros de uma biblioteca no interior dos Estados Unidos e que transformou toda a cidade, ficando famoso no mundo inteiro.

O fofo foi adotado pela diretora e passou a morar na biblioteca. Entre as caixas de papelão, o paladar difícil e as aventuras entre estantes, o gatinho tem muitas coisas em comum com o Haroldo, principalmente porque é lindo e ruivo. Ok, o Haroldo nem de longe é tão sociável quanto o Dewey, mas li o livro todo com meu querido aninhado no colo, o que fez o texto ficar muito mais realista.

É claro que, no final, depois de 19 anos, nosso protagonista peludo morre. Inevitável não pensar como será a minha vida depois que o Haroldo se for. Só de ler o livro, já fiquei com o coração apertado e muitas saudades. Mas tê-lo quentinho sobre as minhas pernas no sofá já vale todas as lágrimas que derramarei. O Haroldo faz 10 anos em outubro e tomara que ele viva tanto quanto o Dewey…

A biblioteca mais sensacional do mundo

Sunday, June 20th, 2010

Ela não é a maior e nem a mais completa; mas é a mais espetacular. Estou falando da biblioteca particular do milionário americano Jay Walker (deve ser primo do Johnnie…ehehe), uma das 50 pessoas mais influentes no mundo segundo a revista Times. O sujeito ficou rico usando a inteligência no sentido clássico mesmo; ele é dono de nada menos que 500 patentes importantes e de um conglomerado de empresas de tecnologia. Pois o cara resolveu montar o que ele chama de Biblioteca da Imaginação Humana, que reúne o que há de mais importante em cinco mil anos de civilização (segundo os critérios dele).

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Assim, a biblioteca não se limita a ter livros: lá tem uma bandeira americana que foi à lua e depois voltou; a coleção abriga um dos satélites originais Sputnik e até guarda até a Bíblia de Gutemberg. Aliás, sobre a Bíblia, ele explicou, na palestra que deu no TED em 2008, que a prensa de tipos móveis de Gutemberg só revolucionou a história do conhecimento humano porque a Igreja Católica precisava de dinheiro e resolveu vender indulgências (que nada mais eram do que pedaços de papel com a declaração de perdão por escrito). Com a invenção de Gutemberg eles se deram conta de que, em vez de escrever uma por uma, podiam ampliar a produção a níveis estratosféricos, pois, como diz o próprio Jay, imprimir indulgências era como imprimir dinheiro. Inclusive, esse foi o estopim para que Martinho Lutero protestasse contra o absurdo (entre outras barbaridades que o incomodavam) e fundasse a Igreja Protestante.

Jay reforça que, de alguma maneira, todos acabamos levando vantagem com essa, digamos, esperteza religiosa. Sem isso, estaríamos escrevendo livros a mão até hoje. É que a invenção de Gutemberg estava fadada ao fracasso — é que, naquela época, quase ninguém sabia ler.

Aqui tem uma entrevista com o Jay Walker (em inglês), mais uma reportagem da revista Wired aqui e aqui tem a palestra que ele deu no TED em 2008 (dá para assistir com legendas em português, é só selecionar). Abaixo, um vídeo muito bem feito que faz um tour por esse paraíso na terra…

Se tem uma coisa que eu gosto de ver é gente rica que sabe gastar dinheiro em arte e em promoção de conhecimento. Sou fã.

Vi a dica lá no Querido Leitor, da Rosana Hermann.

Canais depois de amanhã

Wednesday, May 26th, 2010

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O mundo já foi muito mais simples. Se você fabricava um produto e queria vendê-lo, podia fazer duas coisas: colocar a mão na massa e vender; ou arrumar alguém que fizesse esse papel (um representante, uma loja, um armazém ou coisa do tipo). A esses personagens que não fabricam nada, mas contribuem para que o produto chegue às mãos de quem dele precisa, convencionou-se chamar canais de marketing ou canais de vendas e distribuição.

Até há bem pouco tempo, esses canais eram bem conhecidos: o representante, o distribuidor, revendedor, o varejista (que pode ser classificado em vááárias categorias) e diversos tipos de intermediários. Aos poucos, essas possibilidades foram se ampliando e já se podia vender por telefone, pela televisão, pela internet, em parceria com outros fabricantes, em eventos, enfim, um mundo novo foi se escancarando para a alegria de vendedores e compradores.

Lendo o excelente “O marketing depois de amanhã“, do Ricardo Cavallini download grátis aqui), dá para perceber que isso é só o começo. Não foram só os canais que mudaram. Os vendedores mudaram; os produtos mudaram; os compradores mudaram; e as engenhocas eletrônicas que habitam o planeta também mudaram, e de maneira espetacular.

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Água para elefantes

Sunday, May 23rd, 2010

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Há algumas semanas achei “Water for elephants” em um sebo e lembrei de ter visto o título em português numa livraria. Levei-o e não me arrependi.

A autora, Sara Gruen, conta a história de Jacob Jankowski, estudante de veterinária. Na semana das provas finais para se formar, os pais dele sofrem um acidente e morrem, deixando-o todo endividado e sem ter onde morar (o cenário são os Estados Unidos pós-depressão).

Desesperado, ele sai caminhando pela noite e pula em um trem que vai passando. De manhã Jacob descobre que o trem pertence a um circo, daqueles antigos, cheios de animais e artistas. Jacob se integra à equipe e passa a cuidar dos animais; ele se encanta pela elefanta (elefoa? aliá?) Rosie (eu também me apaixonei pela fofa; não tem como não) e vive muitas peripécias; tem até romance no meio. A história é narrada por Jacob aos 93 anos de dentro de um asilo, nos dias que antecedem a visita dos velhinhos a um circo. Achei o final bem original, diferente do que eu esperava.

Agora fiquei sabendo que estão gravando um filme com esse roteiro, e que Jacob será vivido por Robert Pattinson (aquele rapaz que fazia o vampiro mocinho na saga “Crepúsculo“).

Não sei vocês, mas eu não vou perder!

Livros novos e usados

Saturday, May 8th, 2010

Que dia mais feliz! Chegaram os livros que encomendei na Amazon (apesar de não se notar a diferença, alguns são da loja e outros do sebo) e, junto com eles, o amor da minha vida (o Conrado estava há 3 longuíssimas semanas nos EUA a trabalho). O que mais alguém pode querer da vida num dia de chuva e vento sul?

Novas aquisições para o acervo

Novas aquisições para o acervo

Dr. House também escreve!

Tuesday, May 4th, 2010

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Minha cabeça está transbordando de ideias; minha mesa está transbordando de trabalho com gente esperando por mim. Acabei de chegar de viagem, por onde começar? Resolvi pela cabeça, senão o trabalho não rende, né?

Pois então. No dia em que fui ver Alice, cheguei bem mais cedo no cinema (bem a minha cara, herdei isso do meu pai; consegui até chegar antes no noivo na igreja, no meu primeiro casamento…rsrsrsrs). Para fazer hora, fui àquele lugar para onde vai boa parte do meu faturamento mensal: a livraria (tem melhor lugar para fazer hora?).

Foi quando vi um volume cor de laranja com o Dr. House na última capa (eu A-D-O-R-O o seriado, apesar de ter visto poucos episódios). Pois o livro tinha sido escrito por Hugh Laurie, o ator inglês que interpreta o personagem. Peguei o livro e comecei a ler o primeiro capítulo. Grudei a ponto de quase me atrasar para o cinema. Fui obrigada a cometer a compra para ler o resto, fazer o quê?

A obra se chama “O vendedor de armas” e, apesar de ter sido escrita em 1995, só agora é que foi publicada no Brasil. Gente, o cara escreve MUITO BEM! É um policial daqueles cheios de ironias, com reviravoltas internacionais e conspirações. O personagem principal (guarde esse nome: Thomas Lang) bem daria uma série (Laurie deve saber muito bem disso). Sabe quando alguém domina a esquecida arte do sarcasmo? É ele.

Não consegui entender porque ainda não lançaram o filme baseado no livro. Quem diria que o fascinante Dr. House tinha mais esse talento, heim?

A viúva Clicquot

Wednesday, April 28th, 2010

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Não sei vocês, mas eu adoro espumantes (desculpa aí, é que sou fina mesmo, fazer o quê?). Aliás, adoro vinhos de uma maneira geral (apesar de ainda não entender muito do assunto). Por isso fiquei tão interessada quando vi, pela primeira vez, “A viúva Clicquot“, de Tilar J. Mazzeo, numa livraria (tenho que parar de frequentar esses lugares que estão arruinando minhas finanças….rsrsrsrs).

Tilar conta a história da Barbe-Nicole Ponsardin, que se casou com François Clicquot e assumiu o negócio de fabricação do famoso champanhe depois que o marido morreu; Veuve Clicquot, não por acaso, é viúva Clicquot em francês.

Barbe-Nicole veio de uma família muito rica da cidade de Reims, região da Champanhe, e casou-se com um herdeiro à altura. As famílias, apesar de terem tradição têxtil, também possuíam alguns vinhedos. Pois foi nesse negócio que o jovem casal resolveu apostar, mesmo com todos os riscos envolvidos (as técnicas de fabricação ainda não eram totalmente desenvolvidas). Hoje em dia, um vinho só pode ser chamado de champanhe se for fabricado nessa região da França; todos os outros são apenas vinhos espumantes.

Há muitas curiosidades interessantes para quem gosta do assunto, mas também algumas lições importantes de gestão e ousadia nos negócios. A mulher era poderosa mesmo, pois enfrentou guerras, inúmeras dificuldades técnicas de fabricação e logística; o preconceito existia, mas era o menor dos problemas, uma vez que naquela época muitas mulheres ficavam viúvas e assumiam os negócios. É impressionante como mesmo assim conseguiu consolidar uma marca no mercado internacional conquistando o paladar de reis e imperadores. Ela teve as oportunidades e os meios, mas soube usá-los com maestria e visão.

O livro não é tão divertido quanto um romance, pois a autora adotou o tom de documentário jornalístico para não comprometer a fidelidade dos fatos, mas mesmo assim é interessante.

Recomendo tanto o champanhe como o livro!!

Mais uma estante intrigante

Thursday, April 22nd, 2010

Adoro estantes, mas acho todas muito parecidas. De vez em quando acho umas geniais e aí coloco aqui no blog com esse título (é só ir na categoria “estante” aí ao lado para ver as outras). Quando achava que já tinha visto tudo, ou quase, achei essa joia no ótimo (e recém descoberto) blog da Marcia Nassrallah. O design é da marca italiana Arquetipo e está exposta no Salão Internacional do Móvel de Milão desse ano. A-d-o-r-e-i!

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A elegância do ouriço

Tuesday, April 6th, 2010

09070161ee8c328015406b3abc22de0bConfesso que a primeira vez que vi “A elegância do ouriço“, de Muriel Barbery, fiquei curiosa por causa do título, mas a lista de desejos literários era tão grande que acabei deixando para depois. Então ganhei a dica da Raquel (leitora do blog) e mergulhei com vontade. Nossa, que coisa mais linda de se ler. Dá até pena quando a história acaba…

O livro é narrado por duas personagens principais, cada uma com sua visão do mundo: uma zeladora (que em francês tem o chiquérrimo nome de concierge) de um prédio de milionários em Paris e uma menina que mora no tal prédio.

As duas são cultíssimas e filosofam o tempo todo, cada uma do seu jeito (a autora, não por acaso, é professora de filosofia).

A zeladora, que vive num corpo comum de uma mulher gordinha, baixinha e não especialmente bela nos idos de seus 54 anos, é cultíssima e das poucas pessoas do lugar que realmente sabem apreciar o belo e entender o sentido da arte. Ela divide o apartamento com um gato chamado Leon, em homenagem a Tolstoi. Mas como ninguém espera que uma zeladora leia Kant ou ame ópera, Renée (é o nome dela) tem que disfarçar ao máximo para não chamar atenção e incomodar os moradores que se acham gênios intelectuais. Assim, desenvolveu um certo talento para fazer cara de parva e dizer frases com erros gramaticais, o que fica bem engraçado quando a gente sabe o que vai dentro da cabeça dela.

A menina, chamada Paloma, tem 12 anos e é inteligentíssima. Não aguenta a futilidade da vida de seus pais e em especial de sua irmã mais velha, que está fazendo doutorado em filosofia na Sorbonne mas não consegue mais que gastar a gramática com discussões banais recheadas de palavras pretensamente profundas. Paloma está tão desencantada que resolveu se suicidar e botar fogo na casa (para ver se o povo acorda) quando fizer 13 anos. Ela não quer vítimas, quer apenas que as pessoas acordem e parem com o teatrinho cotidiano que a irrita. Ela só mudaria o plano se descobrisse um sentido na vida…

É quando entra na história um japonês elegante que consegue entender as duas e salvar ambas de si mesmas. Belo, belo, belo e belo, é o que posso dizer.

Já descobri que a autora publicou outro livro antes desse, vou já atrás. Depois eu conto!

Sábado

Thursday, April 1st, 2010

sabadoHoje ainda é quinta-feira, mas acabei de ler “Sábado“, de Ian McEwan. Conheci esse autor quando assisti ao excelente “Desejo e reparação“. Não li “Reparação“, que deu origem ao filme, mas apreciei muito “Na praia“, uma novela que conta os desencontros de um casal em lua de mel.

McEwan não segue o roteiro clássico recheado de fortes emoções e muita ação. Seu talento está em descrever os dramas existenciais das pessoas enquanto vivem o cotidiano.

Em “Sábado“, ele descreve um dia agitado na vida de um neurocirurgião inglês que trabalha num grande hospital londrino. Há conflitos, dramas familiares, a história recente como pano de fundo; tudo muito verossímil e bem contado.

Gostei bastante. Recomendo.

Fotos do lançamento

Saturday, March 13th, 2010

A correria está tão grande que só agora pude postar as fotos do lançamento do livro Atitude profissional: dicas para quem está começando. Estava bem legal mesmo! Quem não foi perdeu, mas não precisa ficar triste porque logo, logo tem mais!

Esse fofo e o Jean Pierre, nosso convidado especial, no colo na Mirela Rzatki

Esse fofo é o Jean Pierre, nosso convidado especial, no colo na Mirela Rzatki

E e minha gurua Dulce Magalhães

E e minha gurua Dulce Magalhães

Altos papos com o Neander e o José

Altos papos com o Neander e o José

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Sobre ideias…

Wednesday, March 10th, 2010

Fotografia: Martyna Adela Dziekan

Fotografia: Martyna Adela Dziekan

Ufa! Estou quase terminando o relatório do workshop que fiz na sexta. Trabalhei sábado e domingo inteirinhos, ontem e hoje complementei com algumas coisas e, finalmente, vou terminar a primeira versão (depois eu sempre dou uma lida e acho mais alguma coisa…). Mas no meio do caminho estou lendo dois livros, um deles chamado “O que os clientes amam“, de Harry Beckwith, e vou deixar para vocês uma frase:

SE TODOS SE SENTEM CONFORTÁVEIS COM SUA IDEIA, ELA NÃO É UMA IDEIA. É UMA IMITAÇÃO.

Adorei, principalmente porque ultimamente tenho tido muitas ideias que não sei se pegariam muito bem por aí. Aguardem…

Gato sabido

Sunday, March 7th, 2010

logo-gatosabidoGato Sabido é o nome de uma livraria virtual que vende apenas e-books (você baixa a versão pdf do livro e paga bem menos que a versão impressa). Adorei o nome, e, além disso, meu livro mais recente já está à venda por lá. Olha aqui que legal! Tomara que a editora publique os outros também nessa versão.

Espero vocês!

Sunday, March 7th, 2010

Oi, pessoas! Na próxima quinta-feira, dia 11 de março, a partir das 19h30, espero todo mundo na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi em Florianópolis, para o lançamento do meu livro “Atitude Profissional: dicas para quem está começando“. Vai ter um pocket show com a banda Back2U Duo com o Fernando Marca e o Leandro Marcucci. Mesmo quem já tem o livro ou não tem a intenção de comprá-lo, pode aparecer para a gente conversar e ouvir música da boa. Vai ser bem bacana, eu agarantio!

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Design do bem

Monday, March 1st, 2010

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Acabei de ler “Do good design: how designers can change the world”, do vice-presidente da ICOGRADA* David Berman e confesso que fiquei bastante impressionada. Não que o livro contenha grandes novidades sobre a responsabilidade dos designers na destruição (e salvação) do planeta. Mas ver todos os argumentos reunidos num lugar só de maneira tão contundente arrepia.

Apesar da brochura simples e monocromática, o extraordinário projeto gráfico (e eu não esperaria menos) contribui em muito para a força da persuasão.

Berman começa sem delongas ou sutilezas, afirmando, com convicção, que o design é uma das mais poderosas armas de ilusão em massa. Que o poder do design tem sido usado prioritariamente para convencer as pessoas que elas não são bacanas e que essa situação só vai mudar se elas adquirirem sem demora tais e tais produtos. Ele vê o branding, da maneira como é praticado hoje, como uma forma de desmaterializar o produto real (as marcas não têm mais enfatizado as qualidades objetivas dos produtos) e convencer o consumidor da sua inadequação no mundo. Usando o desodorante X ou o carro Y, por exemplo, as mulheres todas vão fazer fila para serem seduzidas por você (mensagem implícita: você não está pegando ninguém agora porque não quer). Eles fazem isso porque sabem que o desodorante X é intrinsecamente igual aos seus concorrentes e o carro Y não tem nada de especial. Então o design (aqui muito intimamente ligado à propaganda) serve basicamente para contar mentiras e alimentar a compulsão pelo consumo.

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A história das listras

Sunday, February 21st, 2010

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Uma das coisas que mais me encantam no mercado editorial americano é que o volume de publicações é tão escandalosamente astronômico que dá até para um sujeito escrever um livro sobre listras e seu significado ao longo da história* (sim, listras, aquelas faixas compridas de cores diferentes que estampam um tecido).

Não pude resistir a algo assim (como poderia?) e antes de alguém achar que o meu já altíssimo nível de futilidade atingiu o seu extremo, devo dizer que essas informações podem ser bastante úteis para quem trabalha com design gráfico, artes, ilustrações ou qualquer área da comunicação visual.

O livro se chama “The devil’s cloth: a history of stripes” e foi escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau (ele também estudou a história de várias cores que já estão na minha lista - sem trocadilhos).

A história começa com o grande escândalo registrado em 1254 em Paris, quando uma ordem de religiosos carmelitas chegada de Jerusalém entrou na cidade usando hábitos listrados de branco e marrom. Reza a lenda que as roupas eram assim porque representavam como as vestes brancas do profeta Elias, fundador da ordem, ficaram após terem passado através de chamas. Como ele não morreu, os hábitos listrados passaram a simbolizar uma espécie de armadura de proteção. Há variações de interpretação dependendo do número e das cores das faixas (as 4 brancas representavam as virtudes cardinais: retidão, justiça, prudência e temperança; e as 3 marrons, as virtudes teológicas: fé, esperança, amor).

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Preciosidades

Monday, February 15th, 2010

Meu amor voltou cheio de tesouros, olha só! Ganhei uma caneca da mesma cor Pantone® (só os designers entenderão a graça) do meu cartão de visitas (está no cantinho da tela do computador, à direita, na foto). Também trouxe os livros que encomendei. Falarei deles depois; por ora, apenas invejem minha fortuna…eheheheh….

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Balzac e a costureirinha chinesa

Sunday, February 14th, 2010

Fotografia: Eric Lafforgue

Fotografia: Eric Lafforgue

Meu professor de yôga diz que sabe quando o Conrado está viajando porque fico muito produtiva; leio muito e não páro de publicar posts no blog…ehehehe…

Pois é, a noite passada li “Balzac e a costureirinha chinesa” de Dai Sijie. É uma espécie de novela (romance curto) que se passa durante a Revolução que Mao Tse-tung promoveu entre 1966 e 1976 na República Popular da China. Entre outras atrocidades, o ditador queimou todos os livros existentes no país, deixando apenas os manuais da revolução (que ele escreveu) — o debochado ainda teve o desplante de chamar isso de “Revolução Cultural”.

Na história, dois amigos burgueses (um filho de médicos e outro de um dentista) são levados até uma aldeia bem primitiva para serem “reeducados” trabalhando na roça. A perspectiva de sair de lá era, segundo seus próprios cálculos, de 3 em mil. Os adolescentes, de 14 e 15 anos, trabalharam na lavoura e em minas de cobre. O sofrimento só não foi maior porque um deles era excelente contador de histórias e o outro tocava violino (instrumento que os camponeses nem sabiam que existia até porque não conheciam música).

Um belo dia os rapazes encontram uma maleta cheia de clássicos ocidentais traduzidos para o chinês (Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Stendhal, Dostoievski, Dickens, etc) escondida como um tesouro por outro menino, filho de escritores, que também estava sendo “reeducado” em uma aldeia próxima, e a vida deles muda completamente. Encantados, eles mudam também a vida da filha do alfaiate da região, a tal costureirinha do título. Tudo é pontuado por uma grande sensação de risco, pois livros são proibidos e eles podem ser condenados à morte se forem pegos (os aldeões estão loucos para colaborar com a Revolução e ganhar pontos; além do que, não têm nada a perder, uma vez que são todos analfabetos).

E mais não conto para não perder a graça. Gostei bastante e recomendo.

Mais dois livros

Saturday, February 13th, 2010

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Estava lendo “Uma Noite no palácio da razão” (James R. Gaines) — na verdade lendo não, enrolando. É que escolhi o livro porque parecia interessantíssimo; trata da visita que Bach fez a Frederico, o Grande (Rei da Prússia), para falarem de música, fé e razão, em pleno Iluminismo. O contexto é interessante, principalmente a parte histórica, mas preciso dizer que achei a narrativa chata. Talvez isso se deva ao fato de que o autor entre em detalhes relacionados à música erudita (tem até trechos de partitura), assunto em que sou analfabeta de pai e mãe. Mesmo assim, já estava lá pelo meio do livro, quando surgiu, no meu colo, “O  clube do filme“, de David Gilmour.

Já andava namorando o volume desde que li a resenha em algum lugar; aí apareceu o aniversário (quer dizer, cinquentenário) do meu sócio Alberto Costa e, como ele adora cinema, resolvi lhe dar o livro de presente da maneira mais interesseira possível para que ele me emprestasse depois.

Por sorte o Alberto gostou muito e até se identificou com o protagonista, mas, de fato, o “O clube do filme” fala pouco de cinema, que aparece mais como pano de fundo. Gilmour compartilha a própria experiência de ter um filho adolescente que não consegue se entender com a escola. Sujeito culto e inteligente, ele propõe ao filho que abandone os cadernos e livros, desde que juntos eles assistam semanalmente a 3 filmes e o discutam depois.

Gilmour dá um verdadeiro curso de cinema e literatura para o rapaz, que acaba gostando muito (vale dizer que o carinha é sensível e sofre com as mulheres que lhe aparecem na vida, tal como o pai). O experimento é difícil para os dois (o autor andava desempregado na época e tinha muitas dúvidas se não estaria estragando a vida do filho), mas o amor entre ambos é quase palpável. Lindo mesmo de ler.

Resumo: não terminei de ler “Uma Noite no palácio da razão” e nem sei se vou ter motivação para tal, pois amanhã o Conrado chega com os livros que comprei na Amazon (Uhuuu!!!). Não digo que não recomendo, mas deve ser mais interessante para quem é músico. Já “O clube do filme” recomendo para todo mundo, adorei.

Entrevista Record News

Friday, February 12th, 2010

Conforme prometido, segue o vídeo da minha participação no Programa Educação e Cidadania, da jornalista Maria Odete Olsen, na Record News. Apesar da produção ter solicitado bastante material sobre o duasmotos, na entrevista conversamos apenas sobre o livro que vou lançar dia 11 de março aqui em Florianópolis, o Atitude Profissional: Dicas para quem está começando.

Foi uma oportunidade muito bacana e penso que o livro tinha mesmo mais a ver com o conceito e título do programa. Olha como ficou!

O morro dos ventos uivantes

Thursday, February 4th, 2010

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Há um mês, quando me mudei, fiz uma “limpa” na estante e o Conrado fez o mesmo. O resultado foi que toneladas de livros migraram para o sebo. A parte sensacional da história é que estamos com o crédito nas alturas em dois sebos legais e toda vez que passo por lá encontro alguma coisa.

Semana passada achei um exemplar novinho da reedição de “O morro dos ventos uivantes” (Emily Brontë) por conta do sucesso que o livro anda fazendo (segundo relatos, é o favorito dos personagens principais do casal cujo rapaz é vampiro da série de livros e filmes “Lua Nova“, que ainda não vi nem li).

Já tinha lido o livro na adolescência e não me lembrava quase nada da história, que se passa no interior da Inglaterra do século XVII e conta uma epopeia de amor dessas clássicas.

O grande diferencial, na minha opinião, é que esse foi o pioneiro dos romances onde a mocinha não tinha nada de boa, linda, pura e virtuosa; o mocinho também não era lá flor que se cheirasse. Na verdade, eles formavam um belo casal de pessoas egoístas, crueis e desequilibradas.  Mesmo assim, o amor deles é intenso, desesperado e profundo; eu diria até doentio (uma espécie de “os brutos também amam“…hehehe).

A rotina da vida nessa época e lugar, a maneira como as pessoas pensavam e se comportavam faz pensar que muita coisa mudou, mas, na verdade, a essência continua extamente como era.

Estou adorando.

Desculpem, sou novo aqui

Thursday, January 28th, 2010

1701Nova sou eu. Esse cara nasceu escrevendo, não é possível! Já aconteceu com você de grudar num livro e, a cada página pensar: “Puxa, que bela sacada! Nossa!!“. Fiquei encantada, apaixonada, embevecida, enfim, agradavelmente surpresa como fazia anos não ficava ao ler um livro. Lembro de ter sentido algo semelhante quando li Jane Austen pela primeira vez. No “Retrato de Doryan Gray“, do Oscar Wilde, também fiquei assim, deliciando-me com cada frase.

Recentemente li Fernanda Young e Chico Buarque e adorei, mas eu já sabia qual era a deles e a expectativa era alta, então não foi surpresa.

Já no caso do “Desculpem, sou novo aqui“, do Carlos Moraes (como é que esse sujeito ainda não virou celebridade internacional? não consigo entender), eu tinha lido uma resenha na Veja no começo do ano passado e fiquei curiosa. Essa semana dei com o livro novinho num sebo. Arrisquei. E ganhei na megassena acumulada.

A história não é nada demais, um ex-padre gaúcho começando a vida em São Paulo nos anos 70 como jornalista, tal qual o autor (o livro é um pouco autobiográfico). Mas como o tal escreve!

Olha um trecho onde ele e o colega de trabalho ficam perturbadíssimos com as coxas bronzeadas de uma jornalista:

Só sei que depois, junto à máquina do cafezinho, o Jéfferson me perguntou num tom assim de gravidade contida:

— Qual é, pô?

Eu só falei:

— Pois é, cara.

Não sei o que ele quis perguntar, nem direito o que eu respondi. Felizmente a comunicação moderna nos propicia esses confortos

E essa impagável descrição: “Olhamos instintivamente em volta e damos com um sujeito de terno creme, camiseta preta, óculos escuros, bigode ralo e um sorrisinho desses nascidos para justificar, em português, a palavra perfunctório“.

Por último, esse trecho de conversa, quando uma colega pergunta sobre o celibato:

— Isso de sacerdócio, celibato, como na prática é vivido? Agora você já pode contar.

—  Bom. Começa, claro, com um grande enlevo por Cristo, o Evangelho. Com o tempo, se a gente não se cuida, passa do enlevo para uma espécie de auto-hipnose. Depois, pelo que eu pude observar em certos colegas, vem a zumbificação, a completa zumbificação. Esses dias aí eu vi um bando de cardeais pela televisão, com aquelas caras, aquelas roupas, meu Deus do céu.

— Sei.

— Sabe como?

—  Pelo casamento. Se a gente não se cuida, não é muito diferente. Enlevo, auto-hipnose, zumbificação.

Recomendo, recomendo, recomendo.

Pirâmide bibliográfica

Tuesday, January 26th, 2010

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Todo mundo conhece aquele desenho da pirâmide alimentar, que começa com fartura de cereais e massas na base, depois empilha frutas, hortaliças, leite, leguminosas até chegar na pontinha, com consumo limitado de carnes, gorduras, açúcares e doces.

A pirâmide de Maslow é outra dessas figuras geométricas muito famosas, que coloca as necessidades fisiológicas e de segurança na base para só depois pensar em relacionamentos, aceitação social; a auto-realização fica lá no topo, quando tudo já foi resolvido. Pesquisando mais um pouco a gente descobre pirâmides políticas, organizacionais, socioeconômicas e até, veja só, egípcias.

Como se vê, pirâmides são muito didáticas para deixar bem claro o que é fundamental e o que é cereja; também são ótimas para mostrar por onde se começa a construir bases bem estruturadas para qualquer coisa.

Pois então. Estava aqui ruminando umas alcachofras e resolvi elaborar uma espécie de pirâmide da leitura. Vamos lá então.

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Dois livros

Friday, January 22nd, 2010

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Apesar a correria, consegui ler dois livros essa semana (ok, estou no final do segundo) e, por sorte, são ótimos.

O primeiro é “Leite derramado“, do genial Chico Buarque. O Chico é uma dessas pessoas iluminadas que conseguem fazer o que bem entendem com as palavras, exceto quando está falando e consegue contradizer a sua genialidade defendendo Fidel Castro, Hugo Chávez e Lula (mas tudo bem, ele pode ser incoerente e paradoxal. Ele pode tudo, ele é o Chico Buarque).

O livro conta a história de um velho (para você ter uma ideia da velhice do personagem, o nome dele é Eulálio) que está morrendo num hospital e conta a sua vida para as enfermeiras. O pobre (de espírito) nasceu em uma época em que o valor da pessoa estava registrado no seu sobrenome de família, além da conta bancária, sendo que os dois critérios eram mais ou menos equivalentes.

Eulálio não consegue assimilar o fato de que o dinheiro tomou todo o poder nessa medida, anulando completamente brasões e congêneres. Ainda tenta ver o mundo da ótica dos senhores do poder, mesmo que paupérrimo e ignorado. De certa forma, do seu jeito torto, ele ainda vê o mundo como um menino obediente, da maneira como lhe educaram e incutiram os duvidosos valores. O pior é que conheci uma pessoa assim na vida real; ela não conseguia se adaptar de jeito nenhum, era patético vê-la discorrer sobre a nobreza de sua árvore genealógica para qualquer garçom desavisado que lhe desse ouvidos.

O que nos remete ao excelente “Tudo o que você não soube“, da Fernanda Young, na minha opinião a melhor escritora brasileira da sua geração. O que me fascina na leitura, mais que a história que está sendo contada, é como ela está sendo contada. Me encantam as combinações de palavras e as construções das frases, coisa que a Fernanda domina como poucas.

Neste romance, uma filha escreve um livro para o pai que está morrendo (olha que coincidência) para que ele conheça esse ser que, apesar de ter gerado, nunca conseguiu se aproximar realmente. Vale cada letra impressa.

Olha um trecho onde ela fala sobre o Brasil, que, para mim, consegue interligar os dois livros:

Aqui, aprende-se cedo que ser é ter, sem se aprender como fazer para se ter; então, não importa se for trabalhando ou roubando, dá tudo no mesmo. Ir na direção de possuir é o que fará você ser aceito, sendo meia dúzia de crimes no decorrer do caminho algo perfeitamente aceitável, tanto para o presidente da República quanto para minha namorada de cárcere“.

Triste, mas certeiro como uma martelada.